II Panorama Sesi – Segunda Parte

Postado por: SIRVA-SE ● 25/05/2010

Por Vanessa Mota

No quinto dia de Mostra, o primeiro filme exibido no Cine Sesi foi o dinamarquês “Vocês os vivos”. Confesso que esse era um dos filmes que mais estava querendo assistir dentre os que faziam parta da programação do Panorama. Acabei chegando um pouco atrasada, mas gostei do que vi.

Em várias sequências de câmera estática, o longa mostra situações que parecem ocorrer ao mesmo, mas sem muita ligação entre si. Os fatos se desencadeiam como numa crônica. Trágicos ou cômicos, são retratos do cotidiano de uma cidade grande: pessoas isoladas até mesmo quando convivem em multidões. A palidez dos atores dá um ar de irrealidade ao filme, que, quase sem movimento, perde mais ainda disso quando apresenta pessoas com ares de zumbis.

Destaque para os diálogos dos ‘personagens’ que, em alguns momentos, são direcionados ao público. Estas falas parecem querer explicar o sentido do filme.

A segunda atração do dia veio de Hong Kong. “Cinzas do Passado Redux”, do premiado diretor Hong-Kar-Wai – o mesmo de “Um Beijo Roubado” e “Amores Expressos” -, conta a história de um espadachim que ‘agencia’ assassinos. O longa é dividido entre as estações do ano, e, como sugere o título, trata das memórias de seu personagem principal, através de offs por ele mesmo narrados.

Apesar de bela fotografia em boa parte do filme, ele aparenta se prolongar muito mais do que somente 93 minutos. Com uma história arrastada e diálogos enigmáticos, Hong-Kar-Wai conta sobre um amor não concretizado de maneira bastante poética, mas, para mim, mera mortal acostumada a dinâmica do cinema, o filme pode não ser tão atrativo.

O penúltimo dia da mostra começou com “Che 2 – A Guerrilha”, filme espanhol, dirigido pelo americano Steven Soderberg. A segunda parte da narrativa, que se baseia no diário boliviano o revolucionário, mostra os últimos dias de vida de Che Guevara.

Numa tentativa de promover a revolução comunista por toda a América do Sul, disfarçado, Guevara percorre florestas bolivianas, disseminando pela região seus ideais. Apesar das condições de vida subumanas em que vivem os camponeses, eles não aderem as causas de Che, o que acaba por culminar a morte do líder.

Um belo filme, com interpretação marcante de Benício Del Toro, premiado como melhor ator pelos dois filmes, no Festival de Cannes. Soderbergh não se prende ao quê histórico da temática do filme, e sim num retrato aproximado de Che Guevara, mostrando seu lado mais humano.

Já “Tulpan”, filme do Cazaquistão, conta a história de Asa, um jovem que deseja se tornar pastor, porém é impedido pelas tradições do local em que vive, já que para isto, precisaria ser casado.

Asa começa então a busca de uma noiva. Porém, na região em que vive, há somente uma moça, Tulpan, que rejeita o candidato a marido por alegar que ele tem orelhas grandes. Apesar da rejeição e de nunca ter visto Tulpan, ele apaixona-se pela moça e idealiza-a, assim como faz com tudo que ocorre ao seu redor.

O longa insere elementos ficcionais num universo que parece ser extremamente real. Cru de efeitos, mostra uma família imersa em pobreza, mas que contorna estas dificuldades e, em boa parte do tempo, parece feliz. Apesar de todos os atores serem amadores, destacaria a atuação de Samal Esljamova, irmã de Asa.

Na quinta-feira, último dia da mostra, os dois filmes exibidos mostram a polícia sob aspectos diferentes do que estamos acostumados a ver, e também distintos entre si. Questionando valores éticos da profissão policial, “Polícia, Adjetivo” e “Vício Frenético” encerraram com chave de ouro a terceira edição do Panorama Sesi.

O primeiro filme que vi foi “Polícia, Adjetivo”. A produção romena conta a história de Cristi, um policial que, disfarçado, tenta descobrir quem fornece drogas ao jovem Victor. Porém, durante investigação, Cristi descobre que o estudante, além de consumir, também oferece drogas a seus amigos.

Acreditando que em seu país a lei logo mudará e não será mais proibido oferecer drogas, o policial chega a conclusão de que estará sendo contra seus princípios éticos punindo Victor. Aí então, entram em conflito seus valores éticos pessoais e os de sua profissão.

O filme, que apresenta enquadramentos semelhantes durante quase toda a narrativa, não tem quase nenhuma cena de ação. Ele requer paciência do espectador, exige que ele permita envolver-se com pequenos detalhes e com o desenrolar da história, que, dá a falsa impressão de sempre repetir-se.

Numa mostra marcada pelo passeio por diversos países, a última atração é o americano “Vício Frenético”, dirigido pelo alemão Werner Herzog e estrelado pelo hollywoodiano Nicolas Cage.

Enquanto tenta descobrir os assassinos de uma família de imigrantes africanos que supostamente era sustentada pelo tráfico de drogas, o tenente Terence McDonagh, viciado em remédios e cocaína apropria-se de todo tipo de drogas com que tem contato através de sua profissão.

O remake do filme do cineasta americano Abel Ferrara, não é um filme que questiona valores morais, ele somente os expõe. O julgamento fica por conta do espectador. Com inserções das viagens alucinógenas de McDonagh, o filme faz, por vezes, esquecer dessa história de mocinho se tornando bandido, ou algo do tipo.

Alguns dos filmes do II Panorama Sesi estão em cartaz no Cine Sesi. Confira horários e preços em www.centroculturalsesi.com.br.

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