Maratona do Rock – Parte II

Postado por: SIRVA-SE ● 01/06/2010

Por Martín Langou

Fotos por Michel Rios

A segunda noite do festival prometia ser mais rock que a noite anterior. Na programação constavam bandas com uma pegada mais pesada, a essência da coisa, fora algumas atrações que já estavam sendo esperadas com certa ansiedade pelo público. Ao todo, quatro bandas de fora e mais seis locais na programação. Comentários do tipo “é hoje que toca aquela banda com dois bateristas”, ou “tem uma banda aí que parece que veio da lua” não eram raridade. Ansiedade pairava!

Antes que a primeira banda começasse a tocar, do lado de fora, críticas com toda a razão ao próprio público. Apesar de a organização ter segurado o início do show, pouca gente havia comparecido para prestigiar.  É um ciclo vicioso que se repete. Essa falta de pontualidade por parte do público é um revés bastante comum na cidade, e que deve ser consertado. O festival tinha que começar, porque haviam muitas bandas pra tocar, e atrasar o início seria esticar o fim madrugada adentro. Os extremos quase sempre se dão mal. E quem paga a conta, infelizmente, é a primeira banda, que, quase sempre, começa a tocar para meia dúzia, e as últimas, que tocam para uma dúzia de sonâmbulos.

Mas a noite começa, e começa sob responsabilidade do pessoal da Imprensa Anônima (AL), de Palmeira dos Índios. Apresentaram um repertório quase que completamente autoral, com rock bem trabalhado, falando sobre o cotidiano, sobre a sociedade, críticas e viagens estelares. O fato é que a Imprensa Anônima apresentou letras intrigantes e inteligentes, com fins de reflexão. Ponto positivo pra banda!  Em suas influências, dá pra notar Joy Division (assumida pela banda), Velvet Underground, além de rock anos 70 e 80. E uma percepção inquietou: de maneira geral, as bandas que vem do interior e das periferias da cidade estão mais politizadas e conscientes do que a maioria das bandas da capital. Hipóteses e explicações inúmeras existem para isso, e aqui acendo apenas o pavio do início para, pelo menos, existir uma reflexão sobre o assunto.

Em seguida, com certo atraso por culpa da própria banda, começa o show da Morra Tentando (AL). Muito já tinha ouvido falar dos shows deles, da performance em especial, mas ainda não tinha presenciado. O show começou, e começou quebrando tudo! HC do bom, daquele bem barulhento e gritado! Influências claras de A Sangue Frio, Colligere, Street Bulldogs e Noção de Nada. Com um setlist quase que 100% próprio, a performance do vocalista Marcelo foi um show à parte. Acabou só com uma quase cueca samba-canção, derrubando as caixas de retorno do som e todo enrolado no fio do microfone. Passearam de hardcore ao sambinha, de Street Bulldogs à Boom Boom Kid, cantado em espanhol, como covers.

Depois, Adrenaline (AL) assumiu o controle do Festival, no palco maior. Posso dizer que Adrenaline foi a ovelha negra da noite. Não no sentido de ser ruim, pelo contrário… A banda mostra grande maturidade, fruto de mais de seis anos de carreira. Mas no sentido de ser diferente, de destoar das demais apresentações. A raiz da banda é muito mais metal do que punk ou hardcore, ou mesmo rock mais “tradicional”. Aparecem influências claras de Deftones e Sepultura, por exemplo. São duas guitarras muito pesadas com um vocal gutural, típico do gênero mais moderno. Com esse tempo de estrada, já é figura conhecida do rock alagoano. Cabeças balançaram e corpos se agitaram embalados pelo som pesado.

Na sequência,  o Nublado (PB) deu o ar da graça. De um extremo ao outro, em dois minutos melodias soaram nos ouvidos. A banda começou o show com melodias harmoniosas e guitarras espertas, aliadas a um vocal melódico. Pairavam influências como The Strokes, Coldplay e Arctic Monkeys, só pra começar. Revelaram uma grande maturidade, apesar de seus menos de três anos de existência. Ainda que exaustos, fechando a tour Invasão Paraibana depois de 12 dias de shows ao lado da banda Sex On The Beach, com passagem por oito cidades, fizeram uma bela e contagiante apresentação.

Assim que o Nublado terminou, o trio Sex On The Beach (PB) deu uma de penetra pra tocar uma música apenas. Tocaram quatro. De óculos escuros e no maior estilo, ainda mais. E a banda animou todo o galpão com um belo surf music instrumental dançante muito bem tocado. Foi uma grata surpresa pra todo mundo, que se sentiu contagiado com o estilo.

Logo em seguida, no outro palco, Plástico Lunar (SE) chegou com todo o profissionalismo de músicos que estão há muito tempo no rock. Parecia que o galpão do Festival havia sido transportado no tempo uns 30 anos no passado. Sobre o palco, reinavam músicos daquela época, pegadas de guitarra marcantes e muita psicodelia no ar, na música e no figurino. Pink Floyd e Jimi Hendrix certamente se sentiriam em casa.

Na sequência, Calistoga (RN) ligou o turbo! Já era uma banda também esperada com certa ansiedade pelo público. Hardcore em forward, de cara, na lata, com muita energia! Impossível não lembrar logo de At The Drive-In e Fugazi! Parecem mesmo ser as principais influências da galera, mesmo com um som bem experimental. Com essa aceleração toda, começaram os primeiros mosh’s da noite. De cima do palco, de cima das caixas de som, e partindo do próprio chão. E a roda rodando. Pensava, “Caralho, melhor que essa banda, vai ser difícil rolar outra hoje!”. Percebe-se de cara que o som é feito por quem tem muito tempo de cena underground, gente que conhece a raiz da coisa e procura se aprofundar.

Depois de tanto rock pesado, a dupla Coisa Linda Sound System (AL) garantiu, novamente, um pouco de melodia aos ouvidos. Também músicos profissionais logo é possível identificar no palco. O som envereda mais pro lado de rock eclético, de leve. É possível comparar com o som do Wado, ou, quem sabe, Os Ritmistas em versão mais rock. Pode ser também classificado como “indie pop freestyle tropical rock world music”. Ou seja, é rock.

Em seguida, a Baztian (AL). É um trio, formado à moda antiga, que apresenta um rock mais moderno, bem tocado, cantado em inglês. Mesmo com apenas uma guitarra em palco, faz um senhor barulho distorcido. Influências? Coisas como Pearl Jam e Foo Fighters. Melodias no vocal e uma única guitarra capaz de sustentar toda a banda, das bases aos solos.

Chegara a hora mais esperada da noite, pelo menos por mim. A Vendo 147 (BA) trazia consigo um Clone Drums – que é apenas uma bateria tocada por dois bateristas. A coisa é simples: um mesmo bumbo tocado por duas pessoas, uma de frente para a outra, sincronizadas, como gêmeas, clones. Alguém resolveu inventar isso e parece que deu muito certo. O som ganha um peso absurdo com esse clone. Aliados a duas guitarras muito bem comandadas e a um baixo imponente, a sensação que se tem é que há duas bandas tocando a mesma música no palco, ao mesmo tempo, sincronizadas. Ou seja: MUITO² rock! A presença de palco era absurda também, instigando o público.

Depois do show terminado, era hora de entender todo aquele rock. Não ouvi uma letra cantada sequer, até porque não existe mesmo – a banda é só instrumental, mas precisei de uns 20 minutos pra entender tudo aquilo e digerir o som. Rock de verdade, primoroso, muito bem tocado. Coisa de gente grande! Mais tarde, baixei o EP dos caras, gravado em estúdio, e vos afirmo: ao vivo é muito melhor! Na minha opinião, a melhor banda de todo o Festival!

O tempo passou rápido e agora era só curtição! Dad Fucked and the Mad Skunks (AL) estavam já no palco se preparando para o show. Fazia tempo que não via o show dos caras, que sempre era instigante e dançante. Um bom ska tocado a la Rancid e Reel Big Fish, contagiante, empolgante, animado, que botou todo mundo pra dançar às 4 da manhã de domingo, sendo a 20ª e última banda da 6ª edição do Festival Maionese. Os metais, comandados por Hélio e Dudu, não cansam ninguém e animam todo mundo. Excelente escolha para fechar a noite e encerrar o festival.

É necessário parabenizar todo mundo que participou ativamente na organização da sexta edição do Festival Maionese. O Coletivo Popfuzz está mesmo de parabéns pela ousadia e profissionalismo. De festival propriamente dito, foram dois dias, 20 bandas, rock, pop, folk, ska, hardcore, invenções e muito suor. Tenho certeza que esse Festival fez muita gente se reencontrar com o seu rock interno, reavivando valores necessários nessa cena underground tão árida e maltratada.

Parabéns, Popfuzz, e obrigado pelas duas noites.

Veja mais vídeos do segundo dia do festival no canal da SIRVA-SE no YouTube!

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9 Comments to "Maratona do Rock – Parte II"

1 | Marceleza

1 de June de 2010 to ● 11:10 PM

que pançinha escrota eu tô, vo começar a pensar antes de ficar semi nu por aí hahahahahha

nao quero falar de todas as bandas, mas tenho q destacar aqui as q me fizeram “sujar a roupa, e lavar a alma” Calistoga, nos deu um show q a tempos eu nao via… fez eu me sentir como a tempos n me sentia em um show de rock…satisfação plena

depois vem a Vendo147, q acredito q tenha sido unamidade, todos gostaram…muito boa

gostei tb da participaçao da Sex on the Beach

e por fim, gosssstei muito da Baztian, foi lindo… fiquei ate com um refrão na cabeça “I swear!!!” os caras tem que gravar logo!! apesar das letras em ingles, tem tudo pra se firmar na cena…

sem esquecer as outras bandas q tb fizeram seus som de cima claro…

eu me amarrei no festival, foi lindasso, organizaçao 10, e o q mais importa… me diverti um monte! =]

2 | Nando Magalhães

2 de June de 2010 to ● 6:59 AM

texto instigado da porra!
=D

3 | Nina

2 de June de 2010 to ● 11:47 AM

Coisa linda!
Arrepiei!
=~~

4 | Rodolfo Lima

2 de June de 2010 to ● 12:31 PM

Texto fudido =D
Parabéns ae galiera !!!

5 | Daniel Hogrefe

2 de June de 2010 to ● 12:51 PM

Rapaz, bem verdade o que marcelo falou, o show do Calistoga foi muito foda mesmo! Baztian, Nublado, Dad fucked e, no primeiro dia, nothing is impossible e cross the breeze foi fodão também!
E valeu pro pessoal da Popfuzz, que mesmo com nosso atraso gigantesco ainda desenrolou umas fichas de cerveja pra gente! uehue \o/

6 | Tiago

2 de June de 2010 to ● 2:44 PM

Vlws aew galera do Sirva-se pela percepção do show da Imprensa Anônima que vcs escreveram e, vlws galera da organização do Maionese 6 pela oportunidade de mostrar o nosso som…

texto mais que instigado…!!!

7 | Gustavo Rocha

2 de June de 2010 to ● 3:53 PM

salve galera, primeiro queria dar os parabens pelo blog.
tão mantendo um ritmo e qualidade do caralho!! isso é muito bom!

e em nome do Calistoga, agradecer a todo mundo que compareceu, ao popfuzz e ao sirva-se… foi muito bom poder ter feito parte desse evento, esperamos voltar em breve.. foi do caralho!!

abração

8 | fernando

2 de June de 2010 to ● 4:10 PM

que é isso marcelo?!… continue a tirar a roupa pow, ta gostosinho todo… hahahaha

9 | Marceleza

4 de June de 2010 to ● 8:15 PM

valeu fernando, mas preferia q isso tivesse vindo de alguma girl
hahahaha

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