Postado por: SIRVA-SE ● 16/06/2010
Por Victor de Almeida

Álbum: Calavera
Artista: Guizado
Gravadora: Punx Records/Trama
Lançamento: 2010
Nota: 4
Guizado é, hoje, um dos músicos mais requisitados da nova safra da música brasileira. O trompetista esteve presente nos trabalhos mais recentes de Karina Buhr, Céu, Nação Zumbi e Maquinado, além de participar no disco da figurona da MPB Elza Soares. Mesmo com um currículo desses, é no trabalho solo que Guilherme Mendonça solta toda a sua veia criativa.
Quem pensava que a fórmula de Punx, primeiro disco do músico lançado em 2008, de misturar rock com música eletrônica e elementos do jazz, não pudesse ser reinventada se enganou. É bem verdade que a combinação continua a mesma, mas o trompete e os eletrônicos presentes em Calavera mostram experimentalismo e apontam para novas possibilidades.
O Jazz – principal influência declarada de Guizado – foi mesclado com elementos da música balcânica e latina resultando em um disco festivo. Essa é a principal diferença entre Calavera e Punx. Enquanto o primeiro disco era mais “pesadão” e “duro”, o sucessor aposta em melodias mais bonitas e suaves.
A abertura com “Amplidão” tem um dos mais belos arranjos de metais do disco, seguida por “A Emanação dos Sonhos” e “Rolê Beleza”. É impressionante como o trompete de Guizado consegue se adaptar a terrenos diferentes, sejam eles batuques africanos, beats eletrônicos, ritmos de rock ou ainda jazz. Tudo parece natural, como se o trompete fosse um instrumento indispensável na constituição de todos esses ritmos.

Por Patricia Araújo
Outro ponto que merece atenção do disco são as letras. Para o segundo disco, Guizado investiu não só em belos temas instrumentais e eletrônicos, mas também em músicas com voz. As letras têm alto teor onírico – fazendo referência a anjos, orações, estrelas – e estão presentes em seis das onze faixas e para cantá-las, além do próprio trompetista, foram escaladas as parceiras Karina Buhr (“Girando”) e Céu (“Skate Phaser”).
O disco foi gravado nos estúdios da Trama, em São Paulo, e disponibilizado pelo projeto Álbum Virtual de maneira gratuita para download. A produção ficou por conta do próprio Guizado e a banda de apoio é composta pelos também requisitados Regis Damasceno (guitarras), Rian Baptista (baixo) e Curumin (bateria).
Calavera reflete a maturidade musical de Guilherme Mendonça e aponta novos rumos possíveis na produção independente brasileira. Isso tudo por dois motivos. Primeiro, pela capacidade que o trompetista tem de se reinventar e criar novas possibilidades para o seu instrumento. E segundo, porque em meio a tanta banda repetitiva, o trabalho de Guizado celebra culturas e a música brasileira é um sopro de originalidade na nossa música contemporânea.
( 0 – Péssimo; 1 – Muito Ruim; 2 – Ruim; 3 – Bom; 4 – Muito bom; 5 – Excelente)
4 | Bruno Rodrigues
17 de June de 2010 to ● 9:43 AM
Muito boa a resenha. Gosto do texto do victor! E guizado é fodão!…
5 | Marceleza
19 de June de 2010 to ● 12:26 PM
é caravela, mas toda vez leio cavalera ou calavera Oo to doido
6 | RESENHA DE DISCO: GUIZADO – CAVALERA (2010) » DoSol
1 de July de 2010 to ● 6:20 AM
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