Quem é quem na segunda edição do LAB

Postado por: SIRVA-SE ● 23/08/2010

Por José Luiz Rios

Em sua segunda edição, o Festival LAB, que vem ganhando espaço no cenário alagoano resolve mais uma vez inovar. Ousadia seria uma palavra bem adequada para descrever a proposta apresentada pela equipe que organiza a parada. Visando explorar novos rumos dentro do cenário independente, o festival retoma a diversidade e investe em sonoridades distintas que demonstram uma escalação musical marcada pelo diferencial.

Com o foco centrado na música instrumental, a edição desse ano promete mexer com a cena local apresentando ao público novidades da música independente que possuem um enorme potencial, como é o caso da banda paulista Labirinto, que está em processo de finalização do seu primeiro álbum e vem ao Nordeste pela primeira vez trazer a sua intensidade sonora instrumental e densa. Já aqui da nossa região, o pessoal convocou os pernambucanos da Julia Says, que passeiam por diversas “praias” criando composições ora cantadas ora instrumentais.

A atração local é o Projeto Sonho, uma boa banda de post-rock que tem tudo para figurar como uma nova promessa da música alagoana. Pra completar o time, os organizadores escalaram dois DJs para não deixar ninguém parado: o duo OutQuitéria com o seu repertório pra lá de variado e IJ Abutre, que traz referências distintas em seu set.

Pode-se dizer que essa escalação tem muita qualidade e para você se inteirar mais do que vai rolar no galpão do Armazém Uzina no próximo dia 27, nós da Sirva-se preparamos um guia e agora te mostramos quem é quem no Festival Lab de Música Contemporânea.

Foto por Larissa Fontes

Foto por Larissa Fontes

Projeto Sonho

A banda Projeto Sonho é a única representante alagoana no Festival LAB. Os caras tem que se desdobrar para fazer bonito e marcar presença, o que não é grande problema para eles, já que Gabriel Cerqueira, Hugo Lyra, Victor Caesar e Ítalo Bruno já são músicos competentes e conhecidos do público local por já terem integrado outras bandas da cidade.

Com uma sonoridade forte e intensificada na proposta de se fazer música instrumental se valendo de três guitarras e uma bateria, o quarteto demonstra competência em suas apresentações e preenche muito bem o espaço que poderia soar vazio sem a presença de um contra-baixo.

A apresentação dos caras tem destaque na fusão do peso com a melodia criando vários climas numa única canção. Cada vez mais presente em eventos de música na cidade, o Projeto Sonho vem recebendo um merecido reconhecimento e evoluindo bastante para despontar como um dos maiores expoentes da música alternativa alagoana. Vale a pena conferir a apresentação dos caras.

Para conhecer mais a banda: http://www.myspace.com/projetosonho

Julia Says

A música dos pernambucanos da banda Julia Says, num primeiro momento, pode soar estranha aos ouvidos, mas com um pouco mais de tempo na degustação do som, as coisas começam a se encaixar e as texturas mescladas por eles começam a criar um ambiente atrativo. A banda, ou melhor, a dupla, traz na sua formação um grande diferencial: é composta apenas por guitarra e bateria.

Os caras,que são descendentes de um enorme celeiro cultural, passeiam de forma eficaz por diversas praias musicais e dessa forma conseguem criar uma mistura muito interessante e que agrega ao seu som elementos da cultura regional, sem soar batido ou repetitivo, atrelando ao rock feito por eles, também batidas eletrônicas e linhas de vocal com um sotaque bem Recifense.

Esse emaranhado de sons por vezes pode ser visto como um reflexo mais atual da efervescente cena Mangue Beat do Recife da década de 90. Mas, longe de soar iguais, os caras mostram que tem identidade e conseguem muito bem mandar o seu recado aliando grooves eletrônicos a guitarras viajadas, pegadas fortes de bateria associadas a batidas programadas, e essa mistura ganha ainda mais força e funciona melhor quando as canções executadas são sem a presença de vocais deixando fluir apenas o instrumental.

Com passagem por alguns festivais independentes de renome no Recife e tendo participado de programas de música na TV e na internet, os caras tem tudo para trazer uma boa apresentação ao LAB.

Para conhecer mais a banda: http://www.myspace.com/juliadisse

Labirinto

A atração que vem de mais longe, e merece uma atenção especial, não por ser mais foda do que as outras, mas por detalhes que enchem os olhos de qualquer apaixonado ou curioso por música, independente do estilo de preferência.

Donos de uma musicalidade ímpar, essa banda de São Paulo que visita o Nordeste pela primeira vez traz em sua bagagem grandes referências que se fundem para criar de fato um labirinto de sons e fazer fluir um post-rock instrumental intenso e muito bem executado.

Competência é uma palavra que define bem o que a banda se propõe a fazer. Focados na fusão de diversos instrumentos que conseguem passar uma energia bem intensa, a banda vem se destacando e marcando seu nome da nova cena de música instrumental alternativa do Brasil,mesmo já tendo certo tempo de estrada.

Tendo uma formação por vezes inusitada, ora composta com duas baterias, ora mais rústica com a sonoridade de tambores, misturando sons e encontrando caminhos que levem o público a sentir a música de uma maneira mais intensa, através do experimentalismo das canções.

É válido lembrar que um dos músicos, Joaquim Prado, é alagoano e já tocou em algumas bandas de rock em Maceió.Os caras estão em processo de finalização do seu primeiro CD, “Anátema”, e viajaram recentemente para os Estados Unidos para acompanhar a mixagem do material, que vai ser apresentado em primeira mão ao público alagoano como forma de lançamento oficial do disco aqui no Brasil.

Em resumo, post-rock, experimentalismo e música sensorial num só show, de resto só vendo pra sentir. Se eu fosse você não perderia.

Para conhecer mais a banda: http://www.myspace.com/labirinto

IJ Abutre

Ij Abutre é a identidade musical assumida por Ronaldo Bispo, figura cada vez mais constante nas festas alternativas de Maceió. Com uma discotecagem que visa mesclar diferentes estilos, o cara ataca com sons que poucos exploram nas pistas, como é o caso de ritmos latinos, que no set-list dele tem espaço garantido. Além de disc jóquei, sua apresentação muitas vezes agrega a linguagem visual através da projeção de vídeos que se intercalam às músicas tocadas por ele.

Bispo também é produtor independente e responsável por alguns eventos de e-music e discotecagem em Maceió, assimilando um novo valor a diversidade cultural da cidade e fazendo a pacata noite maceioense ser um pouco mais movimentada. IJ Abutre foi uma das atrações da primeira edição do festival, e promete ser uma boa pedida para os fãs de rock alternativo, música eletrônica e sons lado B e de bandas desconhecidas, no geral pra quem curte dançar e se divertir.

Out Quitéria

O que dizer desses dois amigos que começaram um projeto para discotecar totalmente descompromissado e se tornaram para muitos os queridinhos da noite maceioense?

Com um repertório pra lá de misturado onde numa mesma discotecagem os caras conseguem ir de Beyoncè a Polara, de world music ao funk carioca passando por sons mais desconhecidos e muitas vezes caindo no nosense, o OutQuitéria, como Herbie, um dos DJs (eles não se consideram DJs) costuma falar, é cheio de “loucurinhas”.

Os caras fazem uma apresentação bem intensa e com toda certeza colocam o povo para dançar loucamente, entre gritos e a empolgação dos próprios malucos que assumem o controle das pick-ups. Música livre, intensa e muito dançante é o que eles trazem, sacudindo muito o corpo e interagindo intensamente com o público. Assim como o IJ Abutre, o duo OutQuitéria também tocou na primeira edição do festival e pode explorar caminhos musicais considerados por muitos como impossíveis de serem misturados, criando um liquidificador sonoro de influências/referências.

Herbie e Rodrigo se dividem na seleção musical, e enquanto um toca o outro se joga na pista, mostrando que acima de tudo eles estão ali para se divertir e divertir a quem possa interessar o seu caldeirão multi-musical carregado de música pop, rock, funk, tecnobrega entre outros estilos que você só vai entender conferindo.

Para saber mais sobre o festival, visite www.lab.art.br.

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2 Comments to "Quem é quem na segunda edição do LAB"

1 | Suzana

23 de August de 2010 to ● 9:40 PM

Matéria bacana, Buzugo!
Que venha o Lab!
=)

2 | Herbie

27 de August de 2010 to ● 11:58 AM

HAZÔ! Só as milionárias. bjs uhoaiouhaiouhaiouahoa Comentário é esse?

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