Postado por: SIRVA-SE ● 23/11/2010
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Tendo em vista a nossa preocupação em honrar compromissos, segue abaixo a primeira parte da cobertura do Festival DoSol, etapa Rua Chile. Natal (RN)
Por Daniel Hogrefe
Fotos por Luiz Rios

Cinco horas da manhã não é um horário em que as pessoas costumam acordar para viajar. Já prevendo que não iria conseguir acordar, achei melhor nem dormir e ir direto para o local de encontro para a partida de nossa trip, rumo ao Festival Dosol, em Natal. Jurei que iria compensar o sono atrasado, nas 10hrs de viagem, mas dormir numa van balançando, com um monte de gente falando, e Sacal rolando no som e no último volume, não foi tão fácil quanto pensei.
Mesmo com o atraso de alguns passageiros, a estrada em péssimo estado entre Alagoas e Pernambuco e um trânsito dos infernos na entrada de Recife, a viagem correu bem, e lá pelas 16hrs chegamos ao nosso destino final.
Todos de banho tomado, e devidamente cheirosos, seguimos para a Rua Chile, onde fica o Centro Cultural Do Sol. Acabamos chegando atrasados, e como os horários são seguidos a risca pela organização do Festival – e isso é muito bom – perdemos as quatro primeiras bandas, pegando a apresentação dos goianos do Mechanics após uns quinze minutos do seu início. Ainda assim deu para sentir bem a vibe dos caras, já que assim que entrei o vocalista me recebeu com uma frase do tipo: “nós somos os Mechanics e odiamos vocês”. O som dos goianos é bem isso aí mesmo, um rockão nervoso e agressivo.
A presença de palco dos caras também bota para fora todo esse ódio, tornando a apresentação intensa. Embora a essa altura o público ainda fosse bem pequeno, quem tava lá pôde conferir boa parte das músicas presentes no novo disco da banda, 12 Arcanos.
Um dos pontos fortes do festival é que, como são dois palcos, os shows acontecem um após o outro, logo em seguida mesmo. Isso é bom porque torna um evento com 18 bandas, rápido e dinâmico, não dá tempo para “encher o saco”. Como acontece muitas vezes, em shows com menos bandas, mas com muito embaço entre uma banda e outra. No Dosol, a coisa é rápida, acabou uma banda, começou a outra.

Sendo assim, quando cheguei ao outro palco, a Sweet Fanny Adams já tocava os primeiros acordes, e o que vi foi um indie rock que me lembrou o Franz Ferdinand, mas bem de longe. O som é bom, mas para mim um pouco cansado. A banda de Recife ainda emendou Killing Moon do Echo and The Bunnyman, essa, eu cantei junto.

Logo depois, subiu ao palco do DoSol os paraibanos da Sex On The Beach, para mim uma das melhores banda da noite. Já tinha visto o show deles no Grito rock desse ano em Maceió, e a palinha que eles deram no último Festival Maionese. É incrível como a banda melhorou e amadureceu.
Os caras evoluíram de um surf music básico, agregando influências diversas, mesclando até música regional, como se Pipeline ficasse no sertão paraibano desde sempre. O entrosamento e a presença de palco dos caras, fez deles, na minha opinião, a melhor das bandas da noite influenciadas por Dick Dale.

Fim de show. Corro logo para ver a Superguidis. Já tinha ouvido falar, e lido também, muito bem sobre os caras, que lançaram há pouco tempo o terceiro disco cheio da carreira. Os gaúchos estão com moral e fizeram um show a altura do falatório todo, intercalando canções de todos os discos, algumas mais desesperadas, outras mais melancólicas, fazendo um show coeso e que deve ter agradado quem já gostava da banda, além de provavelmente ter conquistado uns fãs a mais.

Pausa para uma Coca-Cola e trocar idéia com os conhecidos de Natal, além de dar uma olhada na banquinha. Nessa “brincadeira”, quando percebi, acabei perdendo o show do Venice Under Water e os amplificadores já começavam a jogar os primeiros acordes do show da Camarones Orquestra Guitarrística no público, que a essa altura já havia aumentado o suficiente para deixar o ambiente do palco maior cheio de gente. A Camarones é a banda da casa, já que a baixista Ana Morena e o responsável pelo teclado e efeitos Anderson Foca, organizam o festival. Sendo assim se portaram como donos da festa, botando todo mundo para dançar, senhores do palco, mostrando uma presença contagiante, capitaneada pelos sorrisos de orelha a orelha da baixista. A bagagem dos quase 60 shows, só neste ano, parece ter feito muito bem a banda.

Logo em seguida o trio, Autoramas, subiu ao palco. Esse show, eu fiz questão de ver do começo ao fim, já que vários amigos tinham me falado muito bem da passagem deles por Maceió. O estreito espaço do Centro cultural DoSol, ficou pequeno para a banda, e quando os cariocas começaram a tocar, foi praticamente impossível ficar parado, seja pela batida marcada, que faz você involuntariamente balançar a cabeça, bater o pé ou rebolar, ou porque simplesmente todo mundo ao seu redor se balança e te leva junto.
As coreografias da banda são um show a parte, as mexidas de cabeça e os passos tipo uma marcha, casam perfeitamente com o andamento do som, criando um todo visual e sonoro, que simplesmente não cabe em um disco ou em um vídeo, só estando lá para saber. Para muitos a noite já tinha valido a pena.

A expectativa também era grande em torno dos argentinos da The Tormentos, que fazem um surf music mais tradicional, com uma pegada mais leve, mais pra dançar juntinho. Como não tinha ninguém pra dançar, acabei subindo para o mezanino do Armazém Hall e assistindo a apresentação lá de cima. Os músicos estavam uniformizados como jogadores de boliche, o que deixou eles com muita cara de tiozinhos, diga-se de passagem. Entre uma música e outra hablavam com a platéia, criando uma relação legal, mesmo que a maior parte do público, me incluindo, não entendesse muito bem o espanhol rápido dos caras, o que não foi uma barreira para que houvesse um entendimento e todo mundo se requebrasse.

O pessoal da Calistoga fez um show que quase botou a casa abaixo, volume no talo e o público cantando a maior parte das músicas junto com Dante, que se requebrava todo no melhor estilo Cedric. A banda mostrou que tem muita força em casa, tocando músicas que parecem já serem clássicos entre os roqueiros de Natal, além de algumas novas que vão estar presentes no cd novo que os caras estão preparando. Um dos shows que mais gostei, mas mesmo assim no meio da última música corri pro palco maior para não perder o Black Drawing Chalks.

Quando cheguei, o lugar já estava bem cheio, e o stoner dos caras já comia solto. Falando assim, parece que a distância entre um palco e outro era enorme, mas na verdade os shows acontecem bem perto um do outro, o problema é que você sempre acaba encontrando algum “chegado” no caminho, dando uma passada no bar e com isso demorando um pouquinho mais nesse vai e vem.
Tem um bom tempo que queria ver o show deles e, caralho(!), valeu a pena! Outro dos melhores shows da noite. Lembro que a primeira vez que ouvi o BDC demorei a acreditar que era uma banda brasileira, quanto mais de Goiânia – não desmerecendo a cena roqueira da cidade, que vive apresentando muita coisa boa – mas pela pegada, pelo felling da música. É um inglês muito natural, parece que os caras nasceram ouvindo e tocando esse tipo de som.O show é igualmente surpreendente, maduro, som alto, presença de palco instigada dos quatro músicos, e o público batendo a cabeça ao som de músicas do Big Deal e Life Is A Big Holyday for Us, os dois cds dos caras.

Chegou a vez das Vespas Mandarinas, confesso que a essa hora a noite sem dormir começou a fazer um efeito maléfico nas minhas pernas e pálpebras, mas até aqui a cafeína da Coca-Cola ainda deu conta do recado, e pude ver bem acordado o rock n’ roll do Vespas Mandarinas, uma espécie de banda dos sonhos do underground nacional, juntando gente de bandas como Forgotten Boys, Peixoto e Machado e Ludov.
Vendo os caras no palco é difícil acreditar que a banda tem menos de dez shows nas costas, isso mostra que o entrosamento e a experiência ajudam muito em determinados momentos. Se não bastasse, da metade do show para frente, a banda ainda ganhou o reforço do bahiano Fábio Cascadura, que deu ainda um upgrade a mais, tomando para si a responsabilidade dos vocais e acrescentando mais uma guitarra no som já bem preenchido do Vespas.

23 horas, cedo ainda para um dia normal, mas no estado em que me encontrava, já não tive forças pra dançar ao som da Orquestra Contemporânea de Olinda, mas acho que fui o único. O Armazém Hall estava lotado, e ninguém conseguia não dançar ao som da banda, que une de tudo um pouco num ritmo dançante e alegre. O nome “orquestra” não é por acaso, a banda conta com instrumentos de todos os tipos: percussão, metais, violão, guitarra e por aí vai. Além de um vocalista bem carismático. O público estava agora mais quente que nunca e pronto pra receber o Móveis Coloniais de Acaju, mas antes tinha Cabruêra no Centro Cultural do Sol.
A banda da Paraíba, não deixou o público esfriar, com um som tão dançante quanto a Orquestra, mas mais experimental, viajadão. O que não é de se estranhar, já que alguns membros da banda tocam também na Burro Morto. Estranho é que a Cabruêra está na ativa desde 98 e ainda não conseguiu o merecido reconhecimento, o que é uma injustiça. Não sei, talvez seja só eu, mas nunca tinha ouvido falar deles antes do DoSol,.
A banda mistura vários ritmos regionais, criando um som único e original, sem ser pseudo-intelectual ou forçado, como acontece muito com bandas que se aventuram pela música popular nordestina.
Depois desse show arriei, ainda tentei agüentar enquanto o Móveis não começava, mas não teve jeito, acabei desistindo e indo para o hotel, afinal, no domingo tinha mais rock me esperando.
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1 | FESTIVAL DOSOL 2010: REPERCUSSÃO – SIRVASE (AL) – PRIMEIRO DIA » DoSol
24 de November de 2010 to ● 5:49 AM
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