Cobertura Festival DoSol 2010 (Parte II)

Postado por: SIRVA-SE ● 28/11/2010

Por Daniel Hogrefe

Fotos por Rafael Passos


Seria muito vacilo da nossa parte, viajar até Natal e nem ao menos dar um ‘rolezinho’ na praia, não é? Mas o certo seria voltar logo para o hotel e correr para não perder de novo os primeiros shows do dia. Acabou acontecendo justamente isso novamente…

As primeiras bandas do segundo dia foram a Todos Contra Um e Burn My Heart at Sunset, duas bandas que eu estava bem a fim de ver, mas, acabei perdendo. Quando chegamos quem estava fazendo as guitarras gritarem, eram os roqueiros da Pumping Engines de Mossoró, fazendo um trash metal rápido com vocal gritado, que para mim, que não entendo muito de metal, me lembrou o Mettalica, não que pareça um som chupado, mas acredito que seja uma das principais influências da banda. O som dos caras é bem ‘de cima’ e o público que ainda estava chegando pareceu curtir.

Seguindo a onda mossoroense veio a Mahatma Gangue, que além de ter um dos nomes mais legais do rock nacional, ainda conta com o carismático Pedro ‘Mendigo’, que toca também na Catarro. Os caras interagem com o público de uma forma natural, descontraída, simples, como se só houvesse amigos por ali, talvez o fato de o público presente ainda não ser o suficiente pra encher o Armazém Hall ajudasse a dar essa impressão. A Mahatma Gangue faz um hardcore/surf music toscão, uma lombra praiana, no bom sentido. Visceral e simples. Apesar de um pouco de timidez, algumas pessoas já dançavam e se requebravam, assim como o trio de Mossoró, que fez um show competente e animado, mesmo sem a guitarrista Ingrid, que teve que fazer prova do ENEM, e foi substituída a altura por Rafaum.

Logo ao lado, No Dosol, começou a apresentação da Kataphero, um metalzão que no calor do momento interagindo com o pessoal por lá, acabei não vendo.

O Conjunto de Música Rock Merda era um dos nomes mais esperados do festival. Daqui de Maceió, boa parte da galera foi só para ver os caras, que já tinham ido até para a Argentina de carro, mas ainda não haviam tocado no nordeste. Essa primeira turnê dos capixabas levou não só gente daqui de Maceió, mas muita gente de outros lugares também, assim como o pessoal de Natal mesmo.

Quando o Merda subiu ao palco, o Armazém Hall já estava com gente o suficiente pra ficar difícil de andar, e ao mesmo tempo, difícil de ficar parado. O hardcore tosco e rápido foi responsável pelas primeiras rodas, propriamente ditas, do festival. Mozine com sua guitarrinha achada no lixo no Japão – pelo que ouvi dizer, e Japonês, com todo seu estilo e beleza tocando baixo, destilaram clássico atrás de clássico, além de alguns covers, como o de uma canção de Roberto Carlos.

O baterista oficial dos caras não pode viajar para essa turnê, e quem veio no lugar foi Alex Viera, que toca na ‘Morto pela Escola’ e é o chefão da Prego Publicações. O cara fez por onde, e deu conta do recado. Enfim, acho que para muita gente o festival poderia ter terminado ali, já tinha valido a pena, ainda mais que os safados se empolgaram e acabaram tocando mais que a meia hora prevista. Só de falar que nesse pouco mais de 30 minutos os caras tocaram umas 32 músicas, por aí dá para ‘se ligar’ no grau de ‘nervosismo’ da apresentação do Merda.

Depois de um tempo para respirar, refiz mais uma vez o caminho até o DoSol, dessa vez pra ver a AK-47. Pelo nome eu tava jurando que era uma banda punk ou hardcore politizada, com letras de protesto; me enganei feio, ou como diria um amigo meu, ‘caguei no maiô’.

O som era algo mais na linha metalcore, com uns caras cabeludos, lápis no olho e barba estilosa. Pelo jeito uma galera já conhecia os caras e a comunicação público – banda, tava rolando que era uma beleza. Os músicos tocavam olhando para o público, como se fosse um show particular para cada um ali. Até aí tudo bem, mas de repente sobe no palco um sujeito com luvas cirúrgicas e um alicate na mão. Fiquei sem entender por um tempo, mas o sujeito pega o braço do vocalista e ‘manda ver’ com uma agulha do tamanho da minha mão, eu ‘me cago’ de medo de agulha, mas se fosse só uma tudo bem, eu agüentava, o problema é que o cara ainda repetiu o processo, oito vezes! O vocalista estava com oito agulhas enfiadas no braço e a essa altura eu nem prestava mais atenção no som da banda.

Quando não agüentei mais e comecei a passar mal, saí do bar. No caminho várias pessoas com cara de espanto e boca aberta. Se o objetivo era chocar, acho que funcionou, mas não sei até que ponto isso é válido, o show acaba sendo lembrado pela bizarrice e não pela música.

Refeito do estranhamento provocado por tantas agulhas, corri para o Armazém Hall. O show da Garage Fuzz já estava para começar. Com uns vintes anos de banda ‘nas costas’, era de se esperar que os cinco santistas fizessem um show cansado, sem a instigação mostrada no último lançamento deles, o DVD Definitevely Alive, mas parece que a entrada do novo guitarrista deu um gás a mais na banda, que fez desse, o melhor show que já vi deles, com o vocalista Farofa correndo e pulando o palco todo, público ensandecido espremido na grade, cantando todas as músicas e uma roda rodando em sentido anti-horário, lindo!

Para mim esse foi de longe o melhor show do festival, mas sou meio suspeito para falar já que a Garage era a banda que eu mais queria ver, e o principal motivo que me fez sair de Maceió rumo a Natal. Na verdade confesso que não prestei muita atenção no show, fiquei ao lado da roda, cantando com um sorriso de ‘orelha a orelha’. A energia contida ali era algo que ha muito tempo eu não sentia, e isso foi o que me atraiu nos primeiros shows de hardcore da minha vida. Fechando a apresentação com “Replace” e “It´s Funny”, músicas bem conhecidas, esse show do Garage foi para ficar na memória de muita gente.

Saí do Armazém Hall todo suado e com o corpo dolorido, precisei de alguns minutos de descanso, fiquei trocando idéia com gente de tudo quanto é canto do nordeste, cansado do jeito que tava, nem tive pique para ir dar uma olhada no som dos Pernambucanos da Desalma, mas ouvi falar que o show foi muito bom.

No Armazém Hall foi a vez da Claustrofobia botar a casa abaixo com seu metal violento. Os caras já têm um bom nome no Brasil, e um público garantido. Em Natal pelo menos, esse público é bem grande. A frente do palco foi tomada por cabeludos vestidos de preto e com ‘cara de mal’, o mezanino também ficou lotado de pessoas e a banda quase conseguiu botar a casa abaixo literalmente.

No show da banda Facada foi praticamente impossível entrar no DoSol, visto a quantidade de pessoas que lotavam o espaço. A banda cearense é uma das principais expoentes da música extrema do nordeste, e dessa maneira não poderiam fazer feio. Para que nunca os tinha visto ao vivo, a sensação era de espanto, admiração e respeito, já que além de um som brutal sendo ‘cuspido’ através dos amplificadores os caras tem competência suficiente para não deixar ninguém parado, além de serem músicos com certa virtuose, colocam-se de corpo e alma na execução de seu set list. Um show para nenhum amante de música pesada colocar defeito.

Extremamente agradecidos pela oportunidade, o vocalista James ainda salientou a importância de um festival do porte do DoSol poder abrir espaços para bandas que tocam um estilo de som meio incomum, o grindcore.Visivelmente realizados, os caras da Facada surpreenderam e com os bleast beats de Dangelo na bateria, o festival assistiu a um dos shows mais violentos de sua história. Pogo, moshs e uma roda surpreendente, além de um som raivoso e muito bem executado. Isso é um resumo do que foi a Facada no palco.

Enquanto esperava do lado de fora do DoSol, começou um certo tumulto, alguns seguranças passaram e uma pequena multidão pareceu prestar atenção em um único ponto, era Marky Ramone saindo do camarim  e se dirigindo ao palco do Armazém. Achei bem estranho o contraste, enquanto Marky era escoltado por seguranças ali do meu lado estavam o Chuck Hipólito e o pessoal do Black Drawing Chalks, um pouquinho mais adiante o pessoal do Calistoga, logo ali na banquinha Fabrício da Garage Fuzz e o chefão Mozine, todos conversando e trocando idéia com todo mundo, sem problema nenhum. Mas vá lá, o cara é um Ramone… E o festival estava cheio de fãs dos Ramones. Logo na entrada conheci um cara de Manaus que veio só pra ver o Marky.

Sendo assim, era de se esperar um show ‘lotadasso’, e foi isso mesmo que aconteceu. Não cabia mais ninguém ali, o calor era insuportável e mesmo com um bom tempo de atraso – o único show do festival que atrasou, diga-se de passagem – a energia pulsava no ar. No primeiro “one, two, three, four!” disparado pela Marky Ramone’s Blitzkrieg, dava para notar o sorriso de quem passou toda a adolescência ouvindo Ramones, todos que foram influenciados pela banda e até em quem, como eu, nem acha Ramones lá essas coisas todas, mas sabia que estava diante de uma lenda viva do rock. Uma só não, duas na verdade, já que o vocalista da banda era Michele Graves, o cara que cantava na Misfits, que não é lá o Joey, mas deu conta do recado com muito carisma e bom humor. Algumas músicas como Pet Semetary e Poison Heart, funcionam muito bem com o vocal dele, inclusive.

Depois de um bom tempo de show e muitos clássicos, a banda deu uma parada para descansar os músculos, e Michele tocou algumas músicas dos Misfits em uma versão bizarrona apenas com voz e violão, eu achei massa, mas teve muita gente que torceu o nariz. Na volta para a segunda parte do show, ainda rolou Dig Up Her Bones dos Misfits e mais uma porrada de clássicos dos Ramones. Show para fã nenhum botar defeito, não vi ninguém reclamando que eles deixaram de tocar essa ou aquela música. Foi um show digno de uma lenda.

Com o corpo ‘moído’, todo suado e com fome, corremos para pegar as coisas no hotel e voltar para nossa cidade, mais 10 hrs de viagem até Maceió, mas dessa vez com a sensação boa de ter participado de um dos melhores festivais de música do nordeste. Ano que vem tem mais um DoSol, vou tentar não perder os primeiros shows dessa vez.

Agradecemos à Rafael Passos, que gentilmente nos cedeu as fotos

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3 Comments to "Cobertura Festival DoSol 2010 (Parte II)"

2 | JMascis

29 de November de 2010 to ● 10:54 AM

Gozo fácil com essas coisas ó…

3 | Sandney

3 de December de 2010 to ● 10:42 AM

Como diria o Gordinho: essa cobertura está very good my friend!

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