Cobertura Festival DoSol – Segundo dia

Postado por: SIRVA-SE ● 23/11/2009

O jeito foi recarregar as baterias e se preparar para o segundo dia de rock. Como o festival começava pela tarde, descansamos em casa e partimos, novamente atrasados, sem carona e de ônibus. Mas quanto a isso sem bronca…

Por José Luiz Rios

The Exploited

Leia ouvindo:
Devotos – Punk Rock Hard Core Alto José do Pinho

Novamente perdemos as primeiras bandas, DR. CARNAGE (RN), I.T.E.P. (RN), FLIPERAMA (RN), DEADLY FATE (RN) – quase metade das atrações-, o que foi uma pena. Pelo comentário que rolava no local, os paulistanos da NERVOCHAOS botaram pra fuder, colocando os headbangers locais pra sacolejar o crânio. Segundo alguns que assistiram, foi uma coisa linda, mas ainda tinha muita coisa pra se ver.

Assistimos o finzinho da apresentação da DISTRO (RN), que apresenta um som bem influenciado por um Hardcore melódico e mais cadenciado em suas músicas, lembrando boas bandas brasileiras do estilo.

Pulverhund

Depois foi a vez dos noruegueses da PULVERHUND se apresentarem e mostrar um rock nervoso vindo daquelas bandas de lá, onde dizem fazer um frio de doer. Mas isso não foi o que eles passaram no show. Demonstraram simpatia e trouxeram calor ao palco principal. Guitarras bem soltas e um baixo que gritava uma base bem no contexto dos vocais e da batera, som de qualidade. Mas o mais legal foi notar o figura da batera vestido numa camisa do Corinthians e descobrir que o maluco é brasileiro e compõe a banda junto com os gringos. Ao final da apresentação elogios e agradecimentos do baixista, que foram traduzidos e repetidos pelo brazuca.

Em seguida subia ao palco no bar Do Sol, mas uma banda local no evento: o COMANDO ETÍLICO. Dessa vez os representantes eram do metal, faziam um som meio que parecido com um Iron Maiden mais roots, algo como uns sons do início da carreira dos britânicos. Enfim, heavy metal cantado em português e com referências claras da sonoridade de bandas do estilo dos anos 80, o que pessoalmente achei bem interessante.

Saí um pouco do local pra tomar um ar e fui dar uma passeada pelo evento, acompanhar o público, sacar a movimentação das pessoas das bandas, que caminhavam à vontade pelo espaço do evento, se divertindo e conversando. Também do lado de fora estava montada uma banquinha, onde era vendido material de bandas e artistas independentes. Também havia um espaço dedicado ao circuito Fora do Eixo (saiba mais sobre esse pessoal). Nessa banquinha também pude (re)encontrar um velho conhecido: Pedro, vulgo Mendigo, vocal da banda de power violence Cätärro e integrante de um outro grupo de rock, Mahatma Gangue. Gente finíssima, muito animado e brincalhão.

Parecia um dia propício a encontrar conhecidos e conhecer gente nova. Estávamos quase sempre acompanhados pelo pessoal do fanzine Lado[R] e como os caras são gente boa e muito fulêros, conheciam boa parte do pessoal que tava por lá, com quem rolou uma troca de contatos e uma interação bem divertida. Além disso, pude falar com gente de Recife, Natal e ter a felicidade de encontrar dois integrantes da banda Misantropia, Sandney e Júnior, meus conterrâneos, que também viajaram a longa estrada pra ver o rock nervoso nas terras quentes do Rio Grande do Norte.

Confronto – Negação

Entre conversas e risadas, o tempo ia passando e logo mais estávamos parados esperando o CONFRONTO (RJ) começar a sua pancadaria sonora. Ainda na instigação da última turnê européia e dando continuidade a sua imensa agenda de shows, resultado da divulgação do seu último álbum, Sanctuarium, os cariocas já mostravam que não estavam ali pra brincadeira.

Os primeiros acordes da guitarra soaram como uma parede de concreto prestes a ruir e assim que a música começou, uma energia intensa tomou conta do local e botou a molecada pra girar o braço na roda de pogo e levantar poeira nos circle pits. Brutalidade no som que saia das caixas, acompanhada de uma batera concisa e violenta, variando partes rápidas, intercaladas com partes mais cadenciadas, um show pra ninguém botar defeito. Os caras da banda se mostraram realizados e fizeram diversos agradecimentos, seguidos de discursos de resistência política exclamados pelo vocalista. No finzinho ainda chamaram o vocal da banda local I.T.E.P. pra cantar uma música do set junto com eles, set esse que estava recheado de canções que fizeram e ainda fazem do CONFRONTO um dos maiores expoentes do Hardcore/metal sulamericano.

Depois foi a vez dos locais da CALISTOGA mostrar serviço e apresentar um som com grande influência de Punk Rock flertando com uns sons mais na linha de bandas como At The Drive In, Hot Water Music e Mars Volta. A banda se mostrou bem à vontade e fizeram uma apresentação notável e bem animada, com força na base de seu som e deixando gritar as influências, ao mesmo tempo em que demonstravam competência e qualidade, características que se adquire com bastante ensaio. Uma das grandes apostas da nova cena independente nordestina.

Um choque positivo de bandas novas com outras que já estão na ativa a um bom tempo, foi o que pude perceber no line-up dos dois dias de festival. Em contraponto às novidades, subiram ao palco principal o veteranos do DEVOTOS e seu Punk Rock Hardcore vindo lá do Alto José do Pinho, em Recife. Os pernambucanos são um dos grupos mais ativos do estilo na região Nordeste, e vem realizando uma série de shows por aí a fora, como foi ressaltado pelo vocalista Canibal, que afirmou morar andando, uma alusão a banda estar constantemente na estrada.

Devotos

Com mais de 20 anos de carreira e uma única apresentação em Natal, os caras botaram pra fuder no palco. Mas a beleza também estava no público, que foi responsável por uma imensa roda de pogo – a maior do evento -, fazendo da apresentação da banda algo memorável e emocionante. Moicanos, carecas, bangers e outras tribos do meio rockeiro, pogaram, suaram e se confraternizaram num furacão de empurrões, braçadas e muita paz, o que é válido ressaltar.

Competência no palco e harmonia na platéia, um set list muito bem selecionado, que passeava por diversas fases da banda. Pra finalizar, como não poderia faltar, os caras tocaram a clássica “Punk Rock Hardcore” e o público pirou, gritavam, pogavam e empolgavam com grande entusiasmo, assim o Devotos mostrou que “é do caralho!”

Após a entusiasmada apresentação dos recifenses, o jeito foi sentar um pouco e dar uma descansada. Nesse meio tempo, acabei perdendo o show dos goianos da banda MUGO.

Fôlego renovado, era chegado o grande momento: assistir ao show do THE EXPLOITED, a banda que gerou grande polêmica com a sua vinda e que era provavelmente a mais esperada da noite, o grande nome das atrações internacionais do festival.

“Trinta anos de polêmica e barulho”, assim era descrita a banda no informativo de bolso distribuído pelo pessoal do Lado [R], o “Errado”, que, em sua 4º edição servia como guia do festival. Para cada dia os editores fizeram um compacto do que iria acontecer no e assim repassaram o pequeno fanzine de maneira gratuita, um material muito bem elaborado e com boa qualidade nas informações.

Voltando ao rock, logo avistei uma enorme bandeira no fundo do palco com o logo da banda, uma caveira que sustenta um enorme cabelo moicano e que se tornou uma referência clássica no Punk Rock mundial nessa longa estrada percorrida pelos ingleses.

O show começou de uma maneira intensa e logo se abriu uma enorme roda de pogo. A experiência da banda pesou e a cada acorde o calor no lugar aumentava. Guitarradas certeiras, um baixo no talo, gritando um grave impressionante, junto a uma batera veloz e muito bem encaixada. As músicas pareciam crescer a cada execução ao longo do show, e ao tocar clássicos como “Punks Not Dead”, colocaram todo mundo do local pra se balançar e curti um belo baile Punk Rock.

No meio do show dos caras, eles fizeram uma pequena pausa e voltaram ainda mais animados para o bis, que teve a participação de algumas figuras da platéia que foram convidados ao palco para embalar, ainda que de forma desconcertada e com um inglês arrastado e tosco, a música “Sex and Violence”, o que acabou gerando uma interação muito divertida e algumas risadas em relação à dificuldade dos que não sabiam cantar nada da letra.

Aclamados pelo carisma do público, que estava contente com a simpatia e desenvoltura da banda no palco, o THE EXPLOITED tinha as cartas na mão para fechar o festival com “chave de ouro”, e foi o que aconteceu. Mandaram mais alguns sons, agradeceram com algumas poucas palavras e se despediram do palco sob fortes gritos, aplausos e assobios, o que comprovavam a satisfação do público.

Ainda consegui pegar o set dos caras na mão do baixista, para agregá-lo a minha coleção e meu acervo pessoal de recordações. Senti que a missão estava cumprida e fiquei muito satisfeito em poder participar de um festival simples, mas com uma ótima estrutura, muito bem organizado sem nenhum embaço de qualquer ordem e com ótimas atrações, além de ter um público divertido e pacífico, o que fez da festa algo ainda mais bonito.

O DoSol mostrou que com competência, organização e simplicidade se faz um bom evento, e que tem de tudo para ser tornar uma das principais datas no calendário de festivais independentes do Brasil, e porque não do mundo.

(A Sirva-se agradece ao pessoal do Lado [R] pela companhia durante o festival e ao Leandro Menezes creditamos as últimas duas fotos. Flickr)

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