Postado por: SIRVA-SE ● 19/04/2011
Por Luiz Rios
Fotos por Rafael Passos

Desde que foram anunciadas as primeiras atrações do Abril Pro Rock 2011, a expectativa de minha parte já era grande, pois dentre o nomes escalados para o evento estava o da lendária banda norte americana D.R.I., que admiro desde que comecei a escutar Hardcore.
Enfim com a programação totalmente fechada, já haviam duas vans cheias de roqueiros alagoanos dispostos a enfrentar horas de estrada em direção a capital pernambucana, onde há mais de 10 anos acontece o festival.
Malas prontas, viagem acertada e a ansiedade de ver grandes bandas reunidas numa noite de celebração à música extrema.
Logo que chegamos ao local do evento fomos encontrando alguns amigos de outras cidades do nordeste, assim como pudemos também conhecer pessoas novas de outros cantos do país; ainda com os portões fechados esperamos certo tempo até adentrar o espaço. Lá dentro o clima era o melhor possível e assim fomos nos acomodando.

Não demorou muito e subiu ao palco a primeira atração da noite, os pernambucanos da Cangaço, banda essa que vem conquistando um espaço legal com sua música e se destacando até em festivais fora do país. Os caras tocam um som pesado e com forte carga de Heavy e Thrash metal; bem ensaiados destilaram sua sonzeira com coesão para um público ainda morno e disperso, visto que a essa hora muita gente ainda estava atravessando os portões e entrando no local.
Com fortes referências regionais, sem soar estranho ou até mesmo forçado, a banda tenta se encontrar no seu estilo e fortalecer a identidade do metal nordestino e a meu ver está no caminho certo.

Diante de um público já bem maior, subiu ao palco uma das bandas mais notáveis do atual cenário nordestino, a Facada, diretamente do Ceará. Donos de uma sonoridade intensa calcada no grindcore os caras dispensam maiores apresentações e mostram ao vivo que seu som pode soar muito mais brutal do que em suas gravações de estúdio.
Formada por personagens conhecidos da cena cearense, a Facada é extrema em todos os sentidos, seja em sua letras ácidas, em suas guitarras violentas ou principalmente na bateria de Dangelo que faz a música (?) deles soar como um rolo compressor pronto para esmagar o que estiver pela frente.
Logo nos primeiros acordes da introdução de seu show, viu-se uma das cenas mais marcantes daquela noite, as pessoas corriam rapidamente em direção ao palco e aos poucos iam lotando a pista , em seguida eram dados os primeiros berros de “Podem vir”, faixa que abre o mais novo trabalho dos caras, “O Joio”, e a força sonora deles começava a se intensificar.

Como que numa missão desesperada, a banda tocava uma música atrás da outra sem descanso, deixando todos no local bem atentos ao que o quarteto executava em cima do palco. Vale lembrar que a formação original da Facada é um trio e que pela segunda vez tocaram com duas guitarras já que Ari, um dos fundadores da banda hoje reside na Europa e veio ao Brasil se juntar aos seus conterrâneos para destroçar os ouvidos de quem esteve presente naquela apresentação.
Foi aí que abriu-se então a primeira e enorme roda de pogo do festival ao som de uma das bandas mais foda da atualidade e de longe uma das mais brutais e competentes do cenário. Como que num transe coletivo, os músicos (?) destilavam um som extremamente intenso, que era “cuspido” ao público com grande violência e coerência técnica, um show para filha da puta nenhum botar defeito.
Tudo soava desgracento e apocalíptico, como bem descreve as letras da banda, e sem firulagem qualquer mantinha uma estética sombria, enquanto James berrava no microfone canções (?) que já se tornaram conhecidas do público como: “9mm de redenção”, “apocalipse agora” e a mais pedida de todas e executada por último “O Cobrador”.
Se vocês curte música extrema e não conhece a Facada, com certeza deve correr atrás de ouvir o mais rápido possível. Isso é uma ordem!
Aos poucos fui me recompondo da hecatombe provocada pela Facada, e antes mesmo que pudesse pensar em descansar já estava no palco outra representante da nova escola do metal pernambucano, dessa vez quem fazia barulho era a banda Desalma, banda essa que vem recebendo uma atenção especial por parte de muitos fãs do estilo, principalmente pela competência e agressividade com que executam seu repertório.

Em formato power trio, a Desalma consegue aliar peso e melodia, ao mesmo tempo em que mesclam partes rápidas com alguns andamentos mais arrastados, lembrando bastante os metaleiros do Pantera, visível influência da banda; mas não se engane, os cara tem identidade própria e deixaram muita gente grudada na frente do palco atenta a sua apresentação.
Eles que tocam na edição do festival Maionese desse ano em Maceió, aos poucos vem fazendo seu som se expandir ao ocupar importantes espaços em eventos aqui na região, como o festival Do Sol que teve sua última edição em novembro passado e trouxe em sua escalação o show da Desalma. Trilhando um caminho nada fácil, mas com a cabeça erguida, é bem provável que ainda ouçamos falar bastante neles, porque qualidade é um ponto crucial no som deles.
Sem mais delongas era a vez do Thrash metal oitentista do Violator dar as caras, e em pouco tempo a pista já

estava bem movimentada novamente, logo começaram os primeiros circle pits. Já nas primeiras músicas dos caras dava pra sentir a energia que os mesmos transmitem com sua irreverente presença de palco capitaneada pelo simpático vocalista Poney.
Tocando numa velocidade impressionante e com guitarradas certeiras, o Violator promoveu uma grande viagem no tempo, fazendo com que os presentes fossem transportados aos áureos tempos do auge do Thrash metal mundial, cheios de referências antigas e sem medo de soar clichê. Os caras entram de cabeça no estilo e vestem, literalmente, a camisa do bom e velho thrash, além de se utilizar das marcantes menções do visual que vai das calças apertadas e jaquetas lotadas de patches aos tênis tipo basqueteira e cabeleiras assanhadas.

A cada música parecia que eles tocavam como se o mundo fosse acabar, com palhetadas intensas, uma batera 4×4 tocada velozmente e uma consistência sonora muito bem disposta, além de uma distração marcante, se assemelhando a um bando de moleques querendo apenas se divertir e pregar a importância da união entre os diferentes públicos ali presentes através de canções como “UxFxTx (United For Thrash)” e alguns discursos entre as músicas.
Entre várias brincadeiras, mostraram-se muito à vontade, trocando chutes e voadoras entre si e interagindo muito bem com o público, além dos mosh´s de Poney em direção a platéia ensandecida e que a essa altura abria uma enorme roda de pogo onde punks, bangers, thrashers e roqueiros de um modo geral se digladiavam com socos, cotoveladas e pontapés num estranho e peculiar modo de se divertir. Com certeza um dos momentos mais bonitos e marcantes do festival.
Mais ainda tinha muito mais, e sem pensar em parar a maratona de rock pesado continuou a toda.

Dando sequência as apresentações, era a vez da Torture Squad mostrar seu metal nervoso e redondamente técnico.Os caras dispensam maiores apresentações, principalmente ao público nordestino, já que os mesmos já fizeram várias apresentações na região.
Trazendo um novo guitarrista em sua formação, a banda fez bonito e convenceu. Destilando um som calcado na mistura de Thrash com Death metal, o esquadrão da tortura mostrou por que é um dos nomes mais importantes do atual cenário do metal no Brasil.
Com uma linha de bateria que não admitiu erros, a guitarra no mais alto volume de barulheira e um baixo marcante, restava apenas ao vocalista Vitor Rodrigues entoar seu vocal poderoso e agitar o público que acompanhava atento a apresentação da banda que tocou um repertório recheado de músicas conhecidas e teve seu ápice na execução da violentíssima “Pandemonium”.

Prosseguindo na troca de bandas, abrem-se as cortinas e ouve-se as primeiras guitarradas da introdução do show da Musica Diablo, banda que traz em sua formação figuras conhecidas do rock pesado brazuca, tendo como referência o vocal Derrick Green (Sepultura) e o peso e velocidade da guitarra de André e a batera de Edu Nicolini, ambos da banda de Hardcore Nitrominds.
Por se tratar de uma banda relativamente nova, o público não estava tão empolgado, principalmente pelo fato de não conhecer boa parte do set list dos caras, além de não se identificar muito com a pouca destreza de Derrick em interagir com a platéia através de um português falado quase sempre em gírias aparentemente forçadas.
Detalhes à parte, os caras executam um som muito bom, mas sem grandes inovações – algo que não tira o mérito deles – que já como disse, não tem lá tanto tempo de banda e dessa maneira demonstram que ainda estão naquela fase de se encontrar musicalmente. Fizeram um show simples e direto, destaque para as guitarradas certeiras em conjunto com uma cozinha muito bem executada com bateria e baixo bem encontrados.
Depois de uma enxurrada de peso e barulho será que ainda havia energia pra enfrentar mais rock? É lógico que sim! E ainda nessa pegada era chegado um dos momentos mais esperados do evento principalmente por se tratar de uma banda lendária e que de certa maneira revolucionou o estilo de tocar punk/hardcore, era a vez do D.R.I. fazer sua apresentação.

Os caras que começaram lá no início da década de oitenta fundiram o peso do metal da época a sujeira e tosquice características do hardcore para criar um estilo de som que ficou conhecido mundialmente como crossover , que também é o nome de um álbum da banda.
Além de misturar os sons, o D.R.I. também misturou os públicos e fez crescer uma aproximação que ainda era discreta, entre punks e headbangers mesclando assim temáticas abordadas nas letras, sonoridades e anseios de ambas as cenas.
A tradução do nome é direta mesmo: “sujos, podres e imbecis”; e veio de um xingamento do pai de um dos integrantes. Eles são mesmo assim até hoje, uns caras de meia idade com jeito rabugento e escroto, mas que quando se reúnem para tocar, sai um som no mínimo instigante que afeta a tranquilidade de qualquer um no local.

Ao vivo eles são bem intensos e logo na primeira música, “sacudiram” o espaço e botaram todo mundo para pogar sem perder o pique e continuaram executando seu set list com força atarvés de músicas cada vez mais rápidas.
Dezessete músicas tocadas quase que uma atrás da outra, com um intervalo de tempo mínimo entre ela, nesses pequenos intervalos o baixista da banda tentava incitar o público que nem sempre lhe correspondia, mas a partir do momento em que eram tocados os primeiros acordes da próxima música todos pareciam ensandecidos no salão.
A união entre o hardcore e o metal não poderia ser melhor, e o D.R.I. sabe muito bem explorar essa fusão. Donos de poderosos riffs de guitarra os caras destilaram muito peso e irreverência ao tocar com estilo clássicos como: “Thrashard”, “Violent Pacification” e “Five Year Plan” que por sinal foi a música que encerrou a memorável apresentação dos caras naquela noite de sexta-feira.

Era chegada a hora da última apresentação, e meio que como num prenúncio de filme de terror, começou a tocar no som uma introdução sinistra e mórbida, ao mesmo tempo em que abriam-se as cortinas e surgiam três sujeitos com seus rostos pintados e fazendo cara de mal. Era chegada a hora da maldição da noite e quem se encarregou de trazê-la foi o Misfits, lendária banda de horror punk.

Muito bem acompanhado por Dez Cadena e Robo, ambos ex-integrante da importante banda punk Black Flag, Jerry Only único membro da formação original do Misfits, trouxe ao Recife toda energia do punk misturado a boas doses de psychobilly e filmes B, detalhe que influencia diretamente o visual cadavérico da banda.
“De cara” mandaram logo uma de sua canções mais conhecidas a enérgica “Hallowen” e já saíram emendando uma atrás de outra sem muita conversa, o que de certa forma trouxe frieza ao show dos caras que não se preocuparam muito em conversar com o público ou ao menos arriscar alguns palavras em português.

Mesmo iniciando a apresentação de maneira intensa, o público pareceu não reagir da mesma forma e curiosamente se amontoou bem perto do palco a fim de registrar em mente ou na memória das inúmeras câmeras miradas para o palco aquele momento tão esperado por muitos, visto que a banda é de 1977 e nunca havia tocado por esses lados.
Com um set recheado de clássicos o jogo já estava ganho para o Misfits, não fosse a má qualidade do som, o que fez com que a apresentação decaísse um pouco, além do fato de pesar para mal a falta de uma presença de palco mais intensa como se via em antigas formações onde vocalistas passados como “Glenn Danzig” e “Michale Graves” davam um ar mais empolgado às músicas.

Não convenceu como poderia, mas para a maioria dos presentes valeu a pena, mesmo que faltando uma coisinha aqui e outra acolá, os caras tem experiência e bagagem para apresentar um bom show e executar com firmeza músicas há muito já consagradas pela banda, além de dois covers do Black flag, “Six Pack” e “Rise Above” que serviu de bônus aos presentes.
No fim se despediram do público tocando uma de suas músicas mais famosas, que ganhou maior notoriedade por ter sido regravada pelo Metallica, “Die, Die My Darling” fincou o último prego no caixão e deu o tom de despedida de uma das noites mais intensas de todos os tempos do Abril Pro Rock.

Pra encerrar rolou mais uma trilha sonora tenebrosa entoada nas caixas de som e todos se movimentavam lentamente em direção a saída, fossem movidos pelo cansaço ou ainda boquiabertos com apresentações tão eletrizantes e inesquecíveis.
Depois de uma enxurrada de peso e barulho será que ainda havia energia pra enfrentar mais rock? É lógico que sim! E ainda nessa pegada era chegado um dos momentos mais esperados do evento principalmente por se tratar de uma banda lendária e que de certa maneira revolucionou o estilo de tocar punk/hardcore, era a vez do D.R.I. fazer sua apresentação.
Os caras que começaram lá no início da década de oitenta fundiram o peso do metal da época a sujeira e tosquice característicos do hardcore para criar um estilo de som que ficou conhecido mundialmente como crossover , que também é o nome de um álbum da banda.
Além de misturar os sons, o D.R.I. também misturou os públicos e fez crescer uma aproximação que ainda era discreta, entre punks e headbangers mesclando assim temáticas abordadas nas letras, sonoridades e anseios de ambas as cenas.
A tradução do nome é direta mesmo: “sujos, podres e imbecis”; e veio de um xingamento do pai de um dos integrantes. Eles são mesmo assim até hoje, uns caras de meia idade com jeito rabugento e escroto, mas que quando se reúnem para tocar, sai um som no mínimo instigante que afeta a tranquilidade de qualquer um no local.
Ao vivo eles são bem intensos e logo na primeira música sacudiram o espaço e botaram todo mundo pra pogar sem perder o pique e continuaram tocando seu set list que trazia músicas cada vez mais rápidas.
Dezessete músicas tocadas quase que uma atrás da outra, com um intervalo de tempo mínimo entre elas, nesses pequenos intervalos o baixista da banda tentava incitar o público que nem sempre lhe correspondia, mas a partir do momento em que eram tocados os primeiros acordes da próxima música todos pareciam ensandecidos no salão.
A união entre o hardcore e o metal não poderia ser melhor, e o D.R.I. sabe muito bem explorar essa fusão. Donos de poderosos riffs de guitarra os caras destilaram muito peso e irreverência ao tocar com estilo clássicos como: “Thrashard”, “Violent Pacification” e “Five Year Plan” que por sinal foi a música que encerrou a memorável apresentação dos caras naquela noite de sexta-feira.
1 | H..
20 de April de 2011 to ● 2:47 PM
ae sirva-se parabéns pela cobertura, quem naum pode ir concerteza ficou puto, depois de ler o que perderam.