Música brasileira tipo importação

Postado por: SIRVA-SE ● 12/12/2009

Clay Ross, músico natural da cidade de Anderson, Carolina do Sul, lançou no mês de julho seu novo disco, intitulado “Matuto”. O trabalho mistura elementos da música brasileira com ritmos tipicamente americanos. Forró, Baião, Samba, Chorinho, Jazz, Country… Pode procurar, está tudo lá!

Por Victor de Almeida


Clay Ross

Leia ouvindo:
Clay Ross – Recife

É raro ouvir algum músico ou banda de fora do Brasil que tenha sua sonoridade influenciada pelos nossos ritmos. É mais raro ainda encontrar alguém se falarmos especificamente da música nordestina. Geralmente, a influência se dá no sentido contrário, músicos brasileiros, em sua maioria, são influenciados por ritmos estrangeiros.

Entre os músicos que encontraram na música nordestina inspiração para criar novas possibilidades está Clay Ross. Assumidamente apaixonado pela música da nossa terra, o norte-americano lançou neste ano Matuto, seu terceiro disco.

Em recente passagem pelo Brasil, fez um dos shows mais surpreendentes durante o carnaval de Recife, no Festival Recbeat. Acompanhado por uma formação que inclui, além de guitarra, baixo e bateria, acordeom, violino, flauta e percussão, Clay Ross tocou para um Paço Alfândega cheio e contagiado por essa mistura de ritmos nordestinos e americanos.

De volta à Nova Iorque, o músico concedeu entrevista e falou sobre o início da carreira, Jazz, projeto com Cyro Baptista, música brasileira e outros carnavais.

Quando você começou a tocar? Que estilo você tocava?

Eu comecei a tocar muito cedo. Eu ganhei minha primeira guitarra quando eu tinha 10 anos e me apaixonei imediatamente. Comecei tocando Heavy Metal e violão clássico. Na faculdade eu comecei com o Jazz, estudei guitarra e me graduei em Composição Clássica.

Você iniciou como músico de Jazz, já lançou outros dois discos nesse estilo, mas sempre misturando com outros ritmos. Isso é uma constante no seu trabalho?

O Jazz é definitivamente o centro da minha musicalidade. Para mim, a palavra “Jazz” é muito viva. Ela muda o tempo todo. Eu entendo que ser um músico de “Jazz” é tentar ser o melhor possível. Quando improviso eu quero estar livre, mas ao mesmo tempo, sob controle. Entender as relações entre as notas é um trabalho de uma vida. É também ter a cabeça aberta. Eu quero estar livre para conhecer influências diferentes, digeri-las e fazer delas parte da minha expressão.


Você tem um carinho especial pela música brasileira, certo? Como você conheceu nossa música?

É verdade. Eu amo a música brasileira! Quando eu cheguei a Nova Iorque, em 2002, eu comecei a colaborar com um acordeonista espanhol. Ele tinha muita influência da música latina… Tangos, música afro-cubana e chorinhos brasileiros. Essa foi minha primeira experiência com músicas latino-americanas e eu realmente me apaixonei pelo choro brasileiro. Isso me fez procurar por outros músicos em Nova Iorque para tocar música do Brasil. Acabei conhecendo Scott Kettner, músico que lidera os grupos Nation Beat e Maracatu NY. Scott me apresentou ao Cyro Baptista e me trouxe para Recife. Depois disso, eu continuei a estudar música brasileira nos últimos cinco anos.

Desde então você tem tocado com muitos músicos brasileiros? Como foi a experiência com o Agora Quartet e Beat the Donkey com Cyro Baptista?

Eu formei com o Scott e outros dois músicos do Brooklyn o projeto Agora Quartet. Nós ganhamos uma audição no Lincoln Center e o título de Embaixadores do Jazz pelo governo dos Estados Unidos. Por dois meses nós fizemos turnê pelos Bálcãs, passamos pela Turquia, Grécia, Macedônia e Kosovo. Durante essa turnê eu fui aprendendo com Scott algo sobre música nordestina brasileira. Nesse meio tempo, fui convidado para entrar no grupo do Cyro Baptista. Com a Beat the Donkey eu fiz turnê pelos Estados Unidos e Europa. Foi uma grande oportunidade para tocar regularmente música brasileira e aprender com um mestre.

Seu novo álbum, Matuto, mistura elementos de ritmos brasileiros e americanos. Como você começou o processo de composição do disco?

Nova Iorque é uma cidade ótima porque todos os ritmos do mundo existem na cidade. Se você sabe o que está procurando, você pode achar pessoas que fazem isso. Aqui existe uma comunidade de ótimos músicos brasileiros que me ensinaram muita coisa. Mas, nada se compara a conhecer a música na sua origem. Eu estive em Recife nos três últimos carnavais ficando cerca de seis meses em cada vez. Eu sou um admirador da música de Luiz Gonzaga, Cila do Coco, Mestre Ambrósio, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Tom Zé e muitos outros.

O que você acha da música nordestina? Por que esse ritmo te cativa?

Eu acho que o que me chama mais atenção são os ritmos diferentes. A música do Nordeste brasileiro ressoa em mim. É como se fosse algo familiar e novo ao mesmo tempo.

Clay Ross – Banks of Ohio


Quando nasceu a idéia de gravar o disco?

Eu tive a idéia depois de ouvir uma música do Hermeto Pascoal chamada “Voa Ilza”. A melodia da música soa como algo que você ouviria de um violino tradicional da cordilheira dos Apalaches, mas o ritmo é bem brasileiro. Eu e meus amigos começamos a chamar de Bluegrass brasileiro e começamos a construir nosso som ao redor desse conceito.

Como está sendo a receptividade de Matuto?

Bem, o álbum ainda foi lançado há pouco tempo oficialmente, mas a resposta do público tem sido ótima. Eu estou muito orgulhoso dele e ansioso para compartilhá-lo.

Clay Ross – Jonh The Revelator

Como foi sua turnê no Brasil? Como foi tocar no carnaval de Recife?

Foi uma das experiências mais incríveis da minha vida. A coisa que eu mais gostei no carnaval de Recife foi o sentimento que todo mundo está participando. As bandas, os públicos, os palcos e as ruas tudo está incluído em uma única celebração. Foi uma honra para mim, compartilhar minha música nessa festa e ter sido tão bem recebido.

E as outras vezes que você veio ao Brasil para tocar?

Eu vim para o Brasil em 2005, foi uma ótima viagem. Eu vim para divulgar meu álbum The Random Puller. Eu toquei em um clube de Jazz no Leblon e aproveitei o Chorinho, Samba e Bossa Nova na Lapa. Eu estive em Recife nos três últimos carnavais. A primeira vez foi para tocar no festival Porto Musical com a Nation Beat. A segunda vez eu fui sozinho e fiz uma participação especial no Festival de Jazz de Garanhuns. Este ano foi incrível!

Existe algum plano para tocar no Brasil novamente?

Existe uma boa chance de voltar ao Brasil no Carnaval de 2010 e levar o show a outras cidades. Mas ainda não tenho planos definidos.

Click here to download the interview in english.

Mais Clay Ross:
www.clayross.com
www.myspace.com/clayross

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2 Comments to "Música brasileira tipo importação"

1 | Davi Freitas

13 de December de 2009 to ● 3:14 PM

Bom de um modo bem estranho!

HAhahahaha

Abraço

2 | Junior

15 de December de 2009 to ● 7:38 PM

Parabéns e pela ótima entrevista.
Já favoritei em meu blog.

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