Postado por: SIRVA-SE ● 06/04/2012
Por Bruno Jaborandy
Fotos: Divulgação

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Álbum: “Suíte Amandita”
Artista: Dimazz
Lançamento: 2012
Nota: 5
Nas minhas andanças como baixista da banda mais bêbada da cidade, a Dad Fucked and the Mad Skunks, acabei indo parar na linda Salvador (BA) para tocar no Grito Rock 2011. Foi uma viagem em que tudo deu certo, inclusive a hospedagem, que ficou por conta do gente finíssima Diogo, que nos contou que estudava ‘Composição e Regência’ na UFBA.
De manhã, depois de um café da manhã alto padrão, Diogo busca o violão e eu, dando uma de ignorante, peço pro cara tocar uma do Caymmi e ele me dá a melhor resposta de todos os tempos: – Cara, eu não pego violão pra tocar a música dos outros.
Tenho certeza que nenhuma resposta caberia melhor na minha pergunta. Diogo me mostrou que é chato demais ficar fazendo pedido quando alguém pega o violão. As belas músicas que Diogo mostrou naquela manhã de abril eram protótipos, ou não, para o EP que ele lançou esse ano, sob o codinome Dimazz, que ganhou o nome de ‘Suíte Amandita’.

Nesse disco, Dimazz se propõe a unir aspectos da música erudita com elementos da música popular. A riqueza dos instrumentos usados confere uma atmosfera belíssima ao EP. São ouvidos acordeons, clarinetes, triângulo e excelentes guitarras. Dá para sentir que a experiência que o músico obteve tocando nos palcos da capital baiana ampliou seu leque musical e formou uma identidade musical que bebe das mais diversas fontes. A partitura de todas as músicas foi escrita por ele, parte a parte, peças de um quebra-cabeça.
‘A Madrugada’ começa com uma bela abertura envolvendo percussão, violões e acordeon, pra entrar em uma belíssima valsa com um clarinete desenhando tons e abrindo espaço para a voz suave de Diogo cantar uma letra bastante poética. Violinos sinalizam um intervalo antes do refrão emocionado. Sons de pandeiro podem ser ouvidos ao fundo pelos ouvidos mais atentos.

Uma guitarra dá início ao ‘xote’ ‘Enquanto Houver Sertão’, música que tem um interessante triângulo marcando o compasso, uma bateria bem aplicada, momentos de calmaria e um baixo pulsado lindão. O refrão da música carrega muito da música pop, com vocais mais extensos. Lá pelos 2:30 a música vai crescendo, como um baião misturado com um maracatu, um efeito interessante, para desaguar em um refrão diferente que encerra a música.
‘Capuccino’ começa como um jazz envenenado. É bom ouvir com fones de ouvido para absorver todos os ingredientes desse tipo de bebida que desperta os sentidos. É inevitável indicar que há uma clara influência da banda Móveis Coloniais de Acaju, pelo modo como o resto da música se desenha, aquele pegada levemente inspirada no ska, com momentos mais lentos que lembram reggae, para terminar em um trecho vocal que pende para uma polka ou outro ritmo do leste europeu.

Palmas e uma bateria rufada em ‘Um Mundo bem Melhor’ pintam um clima de otimismo nessa ciranda moderna, como Dimazz a classifica. A letra soa como uma meditação em um dia de ficar em casa pensando na vida. “Alegria vai mas costuma voltar. Com ela traz a chance de termos um mundo melhor”, canta. O instrumental da música carrega muito desse tom inspirado com uma guitarra que lembra Power-pop, violinos marcantes e um naipe de metais que acompanha os vocais no encerramento da canção, com vocais de big-band pra galera cantar junto.
Com esse primeiro EP, Dimazz mostra que tem um trabalho sólido com tudo para encantar os ouvintes e reverberar pelos corações de quem ouve. É um compositor corajoso e versátil. O disco físico será lançado em maio mas você já pode ouvir AQUI, lembrando que para baixar é preciso se cadastrar no site.