Dos quadrinhos para o Cinema!

Postado por: SIRVA-SE ● 21/06/2012

Colaboração: E. Mattüs
Fotos: Luara e Divulgação

Há alguns anos, foi lançada uma publicação marginal de nome singelo, a revista “Prego”. Folheando algumas páginas das duas primeiras edições, você encontraria uma estranha história sobre homens com fechaduras no lugar das faces, uma nação inteira aprisionada dentro de si mesma, graças a terríveis caixas televisivas. Os anos se passaram e agora esses estranhos seres fugiram das páginas emboloradas de mofo para clamar por sua liberdade dentro das telonas.

Surgida nos primórdios do século XXI, a Camarão Filmes apresenta sua mais nova empreitada “Confinópolis – A terra dos Sem Chave”. E, PARA NOSSA ALEGRIA, tanto os quadrinhos como a produção cinematográfica partiram dos delírios de uma mesma mente, o jovem cineasta/quadrinista Raphael Araújo.

Junto de suas parcerias com outros artistas infratores que compõem a produtora, Raphael lutou na guerrilha dos editais e conseguiu dar movimento a sua obra, resultando em um lindo filme com um clima tão tenso quanto os quadrinhos.

Confinópolis terá sua primeira exibição em Alagoas, na “II Noite dos Malditos”. E, agora, Raphael nos conta um pouco de como foi feita a macumba para tirar seus personagens dos quadrinhos para o cinema:

Como surgiu esta entidade maligna chamada Camarão Filmes?

Surgiu da união de alguns jovens de Vila Velha que se reuniam no ócio para confabular ideias caóticas. Isso foi lá pelo ano de 2002/2003.

Confinópolis começou como uma história em quadrinhos lançada nas duas primeiras edições da Revista Prego. Os quadrinhos também foram um trabalho seu? Como se deu a adaptação para o cinema?

Sim, os quadrinhos foram de minha autoria. Como foi dito na pergunta anterior, temos um grupo chamado “Camarão Filmes & Ideias Caóticas” e que teve um projeto aprovado ano passado pela Secretaria de Cultura do Estado.

Com a reativação do grupo começamos a fazer diversas reuniões e ficávamos cogitando o que seria interessante de filmar. Foi levantada no grupo a possibilidade de filmar Confinópolis, por possuir aspectos interessantes para ser transformado para o vídeo. A adaptação para o vídeo deu muito trabalho, mas superou nossas expectativas, ficamos contentes com os resultados.

Quais os outros trabalhos da produtora?

Temos um vimeo onde podem ser visto a maioria dos trabalhos que realizamos. (link)

Ultimamente, o governo tem liberado um troquinho para que jovens cineastas perturbados dêem vida as suas obras, porém há quem diga que isso tira aquele brilho de “cinema independente”. Confinópolis teve apoio público ou foi feito com iniciativas financeiras próprias (troco do pão e do cigarro)?

Tivemos apoio sim, através de edital da secretaria de cultura de nosso estado, no qual fomos contemplados com 5.000 reais e ainda teve que rolar um troco do pão e muita ajuda de amigos. Independente de tudo, nós queremos produzir da melhor maneira que achamos que seja possível.

Todo filme tem seus empecilhos, tragédias e graças durante a produção. Conte-nos um pouco sobre como decorreu o processo de filmagens?

Acho que a grande lição com o Confinópolis foi ver que com um pouco de organização somos capazes de fazer muitas coisas. Foi a maior produção até hoje da Camarão Filmes, o primeiro com um nível profissional, tendo em vista as antigas produções. Pela primeira vez iríamos trabalhar com verba, equipe, reuniões, roteiro, storyboard, edição de áudio-video, captação de som e muitas outras coisas que fazem parte da produção de um filme. Tínhamos em mente que estávamos numa linha tênue entre ser um completo fracasso ou conseguir fazer o filme do jeito que queríamos. Ficamos um pouco focados em como se organizar. O tempo era curto, a verba era bem apertada. E por incrível que pareça não tivemos grandes surpresas, as coisas caminharam bem dentro do que foi planejado.

O que deu mais trabalho foram fazer os figurinos, cenários. Foram noites sem dormir, de stress, de doideira, mas esse sofrimento passa rápido e é recompensado. Fomos mais agraciados do que tivemos tragédias. Posso destacar que as cenas do comício foram as que deram mais trabalho, por lhe dar com diversas pessoas ao mesmo tempo, a construção de todo o cenário e figurino.

A circulação do filme em mostras está fluindo?

Sim, está fluindo na medida do possível. O filme já foi exibido em festivais de importância em Portugal, Balneário Camboriú, Porto Alegre.

Eu tento me desdobrar na minha falta de experiência e prática com a coisa de distribuição de vídeo, mas mando muitos DVD’s semanalmente para festivais do Brasil e de fora do país. Depois de tanto trabalho é hora de dar a oportunidade que Confinópolis seja visto pelo maior número de pessoas.

Por fim, teremos algumas surpresas da Camarão Filmes ainda esse ano?

Bem provável. Mas não revelarei aqui. Segredo.

Confinópolis será exibido na “II Noite do Malditos” em Maceió.

Esta é a segunda edição do projeto realizado em parceria pelo Centro Cultural SESI, Popfuzz Coletivo e Sirva-se e dessa vez a programação vem bem variada, do documentário falando do submundo do cinema alternativo nacional, passando por curtas – dos quais dois são produções nordestinas, até um longa fechando a noite.

Aqui tu encontra mais infos:

II Noite do Malditos

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