Postado por: SIRVA-SE ● 27/01/2010
Por Daniel Hogrefe
Quando o DIS#1 chegou na minha mão, meus olhos brilharam como quando ganhei uma bicicleta de natal com uns 11 anos. A coletânea, lançada pelo selo paulistano Dissenso, que começa a se destacar no campo da arte/música do país, enche os olhos e os ouvidos, aliando arte visual e música de forma única, tudo foi feito com capricho.
O projeto gráfico ficou na responsabilidade do Kultur Estúdio, que também faz a revista +SOMA, e conta com ilustração de capa do alagoano Pedro Lucena, que vem já há algum tempo mostrando a cara fora do estado e até do Brasil. Tudo muito bem acabado, com uma diagramação em diagonal que dinamiza o conteúdo. Resumindo, o design ficou foda demais!
O mais legal do DIS, no entanto, é a proposta inovadora do projeto, a integração de formatos e mídias. O tema Etéreo cai como uma luva de quatro dedos no som das quatro bandas participantes dessa edição.
Antes que eu esqueça, acho que preciso explicar melhor o formato do material. O DIS é como um pequeno livro, do tamanho de um CD. A capa abriga o cd propriamente dito e o miolo tem 42 páginas. Sim, isso mesmo, 42 páginas! Vai muito além de um simples encarte. Dessa quantidade enorme de páginas, 16 são dedicadas às bandas, com um texto de apresentação para cada uma, além de imagens feitas por membros das bandas e convidados.
O que sobra, nos apresenta trabalhos de outros 16 artistas visuais brasileiros. Alguns já conhecidos, como Binho Barreto e Thaís Beltrame, e outros nem tanto. A coletânea visual reúne diferentes pontos de vista gráficos e estéticos. Alguns, é verdade, sem muita relação com o tema, mas que podem ser tomados como um belo apanhado do que vem sendo feito de interessante nos quatro cantos do Brasil.
Fora o pessoal que já falei, também merecem destaque as cores e texturas da cidade do graffite de Ricardo Akn, as fotografias de Bruno Canepa e o traço despretensioso de Lucas Biazon.
O sexteto curitibano Ruído/mm abre o cd com sua música experimental que mistura todo tipo de influência, além de barulhos e ruídos, tudo entrelaçado, camada por camada, criando climas e um som altamente detalhado. As músicas possuem um poder imagético tão forte que é fácil encaixá-las em cenas de filmes. “Praiera” mescla um som suave no início que vai ganhando tensão e força com um clima duelo de faroeste que se aproxima do momento final. A inédita “Valsa dos Desertores” é como uma festa de casamento ao contrário, começando com a banda cansada e o salão vazio, retrocedendo ao início da festa, com ótimos momentos Dick Daleanos acrescidos de escaleta.
A arte que coube a essa parte é tão complicada de descrever quanto o som. Foto, montagem, desenho? Difícil dizer, mas tem tanto ruído quanto o som da banda.
Labirinto é prata da casa da Dissenso, que lançou pelo selo seu EP mais novo. O grupo paulistano conta com o alagoano Joaquim Prado, que já tocou em bandas como Qatsi e Sleep Out. Eles ganharam há pouco tempo o prêmio de melhor banda instrumental no festival PIB e planeja uma turnê pela Europa em breve.
“Arcabuz” – maior música do cd, com quase 12 minutos – e “Temporis” tem um clima sombrio, meio melancólico, mas com uma pegada forte, peso em alguns momentos, tudo muito bem tocado e construído pedaço por pedaço, emendando partes totalmente distintas e utilizando o silêncio como instrumento. Um ouvinte mais desatento pode até se perder nos climas e tempos diferentes, não sendo difícil achar que já se passaram três ou quatro músicas, mas, na verdade, ainda é a mesma, trabalhada à exaustão, parte por parte com precisão cirúrgica.
As fotos de Joaquim mantem o clima sombrio e experimental da música. Imagens desgastadas em negativo de prédios e estátuas são a imagem perfeita do tema “Etéreo”.
O Fóssil me lembrou de longe os primeiros CDs do Hurtmold, só que feito por três caras. O trio cearense é o mais hardcore do DIS. Som com poucas notas, linhas de baixo fortes e marcadas, mas nem por isso menos trabalhado e experimental. Em “Secesso” e “Missa Nova”, a bem feita cozinha da banda abre caminho para experimentações da guitarra cheia de efeitos. Aqui e ali aparecem sons diferentes e inserções de escaletas, violoncelos e efeitos de computador. A primeira vista o som é simples, mas a cada audição dá pra achar um detalhe diferente que havia passado despercebido.
A Fóssil convidou Nelson Luiz e Felipe Diaz para ilustrar suas páginas com belas artes de aspecto mais cru e primitivo.
Fechando o CD, a mineira Constantina traz sua música suave e calma, mesclando post-rock à ritmos mais brasileiros com vários elementos eletrônicos. “Cubo Mágico” é de uma delicadeza incrível. Parece que a música é sussurrada no pé do ouvido, entrando de fininho e tocando lá no fundo do cérebro. A inédita “Mexido” é cheia de efeitos, cortes, colagens e sobreposições de sons, parece uma grande colcha de retalhos, mas costurado de forma tão precisa e cuidadosa que parece ter nascido assim. As vozes que aparecem baixinho, distantes, dão à música um gostinho de infância e inocência.
Bruno Nunes é o encarregado de dar cara ao som da banda, o que faz com uma fidelidade incrível: suas colagens tem a mesma delicadeza e suavidade das músicas.
DIS#1 é um projeto pra ser apreciado com calma, pra ouvir com cuidado e atenção. De preferência com fones de ouvido pra não perder nenhum detalhe.
Mais Dissenso:
www.dissenso.com.br
Promoção!
Quer ganhar uma cópia original da Dis#1?
A Sirva-se irá sortear uma entre os leitores. Para concorrer basta deixar um comentário abaixo com seu nome e e-mail corretos e torcer. Todos os comentários são numerados, sortearemos um número pelo Random.org e enviaremos o prêmio na faixa para o ganhador! Só valerá um comentário por e-mail…
O sorteio será domingo (31/01/2010) à tarde.
Boa sorte!
Resultado: Realizamos outro sorteio entre os 18 comentários de e-mails diferentes que recebemos até o domingo. Sorteamos pelo Random.org um número entre 1 e 18, o outro comentário vencedor foi o número 3.
Nome: Elvis H.
E-mail: afalange@…
Parabéns!!!
27 de January de 2010 to ● 10:33 PM
Bom não custa nada tentar…
Então, eu queroooooo….
Rss..
Bjos
27 de January de 2010 to ● 11:00 PM
Faz tempo que quero comprar. O caminho é esse mesmo arte em todas as suas expressões reunidas, quem sabe diz #2 venha em dvd e traga vídeos também. Abs!
4 | Herbie
28 de January de 2010 to ● 12:54 AM
Chique o texto. Mas não quero o cd não. Daniel ouviu no estúdio. haiouhauiohaiouhau Beijo pros mig.
5 | Marcelo Nogueira
28 de January de 2010 to ● 1:19 AM
Esse projeto é GENIAL. Músicas,bandas e artes lindas. Já tenho a DIS 1 que comprei num show maravilhoso do Labirinto. Não vou tomar a oportunidade de alguém q não tenha ganhado.
Parabéns pela matéria e o blog q não conhecia.
8 | fabio cavinato
28 de January de 2010 to ● 7:30 PM
fossil, labirinto e constantina num livreto de 42 paginas? é claro que quero!
28 de January de 2010 to ● 8:18 PM
Boa resenha pessoas, ficou massa mesmo. O disco é muito bonito, inclusive o encarte é belissimo…
Eu upei o que eu tenho aqui, logo mais mando la no blog, mas quem ganhar vai conseguir o pacote completo, nao so as cançoes…
Ps: Foto velha da Fossil hein?! Da constatina tambem ne?! Ambos com ex integrantes…
hehehehehe
10 | Artur Finizola
29 de January de 2010 to ● 6:20 AM
putz… fiquei curioso… nem rola de baixar… tem que ter em mãos… tatear… vamos ao sorteio!
15 | adriana ramires machado
30 de January de 2010 to ● 8:57 PM
Eu Quero, estou aguardando ansiosa o sorteio, vai que eu consiga, hehehe….
18 | MARIA ISABEL AGUIAR DA SILVA
31 de January de 2010 to ● 3:01 PM
Realmente a musica para ser sentida, ouvida de coração tem que se ouvir de fone de ouvido, num tom baixo e com os olhos fechados, ai sim vc vai sentir e ver o significado da letra, ela toca a alma.
A musica mt importante, mas a letra da musica muito mais.
com certeza que eu quero.
com carinho
bel