Cobertura Grito Rock Arapiraca

Postado por: SIRVA-SE ● 09/02/2010

Por Victor de Almeida
Fotos por Vanessa Mota

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Depois de levar muita gente à Praça Marcílio Dias, em Maceió, a organização pegou a estrada e levou o Festival para o interior. Arapiraca fica a, aproximadamente, 128 km da capital e já revelou para o país a Mopho, uma das maiores bandas de rock de Alagoas, mas hoje sofre de uma grande carência: shows que movimentem a cena rock da cidade.

Com o apoio do Circuito Fora do Eixo, da Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin) e com a realização do coletivo local Popfuzz, o Grito Rock prometia movimentar a prévia carnavalesca da turma que não curte se jogar no frevo, no axé ou na swingueira.

A última vez que fui a Arapiraca foi para acompanhar o primeiro show do Wado, durante o lançamento de Atlântico Negro. A cidade está muito bem arrumada e deu gosto de ver a organização dos espaços para receber eventos culturais. Diferentemente do show do Wado, que foi realizado na Praça Ceci Cunha, o palco do Grito Rock foi montado no Largo da Perucaba, complexo montado próximo à Lagoa de mesmo nome.

O ambiente era muito bom. Boa vista, ótima localização, um pouco afastado da confusão dos blocos carnavalescos, tudo isso acrescido ao friozinho da noite do Agreste alagoano. A noite prometia. As atrações eram: Subproduto de Rock, Senhora Rita, Baztian, Cross The Breeze, Caldo de Piaba e Pumping Engines.

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Por volta das 19h, a local Subproduto de Rock subiu ao palco e alternou composições próprias com alguns covers de Capital Inicial, Paralamas do Sucesso e Cazuza. O som entrava um pouco na linha das bandas citadas e do rock nacional na década de 1980, mas não sei se faltava um pouco de segurança no grupo ou se o repertório autoral era curto, mas o número excessivo de músicas de outros artistas prejudicou um pouco a apresentação.

Durante o festival aqui em Maceió, a conterrânea da Subproduto, a Gato Negro, fez um show totalmente autoral, mostrando uma boa vertente do pop rock genuinamente alagoano, feito em Arapiraca. Talvez a banda precise amadurecer um pouco e decidir investir mais neles mesmos.

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Após a abertura, o trio Cross The Breeze assumiu a vez e surpreendeu geral. Tanto ao público, quanto ao coletivo organizador e a mim mesmo! Depois do último show meio morno que fizeram durante a etapa Maceió da Turnê Fora do Eixo, eles voltaram e fizeram um show vibrante no Largo da Perucaba.

Mais entrosados, os três usaram o ruído e o noise ao seu favor e colocaram boa parte do público de preto para cima, com um repertório inteiramente autoral. Coisa rara de se ver no cenário alagoano. O inusitado foi ver a galera se apertando e brigando pelas palhetas e baquetas dos músicos. Pois é, os meninos agora são rockstars na capital do Agreste.

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Depois da vibração e das microfonias, a trupe da Senhora Rita deu o ar da graça. O termo trupe aqui não foi usado em vão. Além dos quatro músicos, que formavam a banda, ainda estavam no palco duas dançarinas e um ator, todos devidamente maquiados, que se alternavam em um camarim improvisado, onde os músicos também faziam troca de figurino, em cima do palco para criar uma complementação ao espetáculo musical do grupo.

Mesmo com todo esse arsenal de criação artística, a banda parece meio perdida durante o show. Não que seja ruim, longe disso, mas atrás de tanta coisa incorporada ao espetáculo, a música acaba ficando em segundo plano. A exemplo da Subproduto de Rock, eles precisam investir um pouco mais na musicalidade da banda, trabalhar o próprio som, se junto a isso der para acrescentar novas possibilidades e expressões artísticas, ótimo!

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Depois, vieram os acreanos da Caldo de Piaba. É incrível como o som deles é capaz de agradar a quase todo tipo de público. Com um ritmo pulsante e riffs que misturam boas doses de blues, jazz e ritmos do Norte do país, o power trio de Rio Acre levantou os arapiraquenses e chamou a atenção de todos para o som.

O que pouca gente imaginava era que Saulim, guitarrista, pudesse ser uma espécie de Chimbinha acreano e conseguir mesclar a lambada popularesca com o requinte do jazz, e tudo de uma forma bastante espontânea. Foi o segundo show deles que eu assisti em dois dias e mesmo assim me surpreendi com o arranjo contagiante de “Lambada Complica” e com a complexidade de “O Fanq”. Não é nenhum segredo que eles bombarão durante o carnaval de Recife. A banda deve se apresentar para um Paço da Alfândega lotado à espera do Cidadão Instigado no dia 16 de Fevereiro. Vai ser promessa de muita rala-coxa durante o Recbeat.

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Ao término do show da Caldo de Piaba, veio à público mais um power trio da noite. A Baztian, uma das bandas mais promissoras desse novo cenário alagoano, dá vida ao rock da década de 1990. Influenciada notavelmente pelo som feito na capital do grunge, Seattle, a banda saciou, pelo menos um pouco, o público que desde o início gritava para que alguém tocasse um cover do Nirvana. Pedido atendido em parte, não rolou Nirvana, mas os conterrâneos do Mudhoney.

Mas, durante o show dos caras, o Batalhão de Operações Especiais (Bope) chegou junto e confundiu uma rodinha punk com violência e decidiu intervir. Chegaram com os cacetetes em punho dispersando boa parte do público que fazia um pogo na frente do palco. Percebendo o que estava acontecendo, os músicos pararam e deram início ao silêncio que se manteria pelo resto da noite.

A festa estava bonita, tudo muito bem trabalhado e organizado. Mas o que parecia ser apenas uma pausa momentânea se transformou em problema quando o público começou a provocar a guarnição que estava por lá. Cantaram a música “Polícia”, dos Titãs, e gritaram algumas palavras de ordem, enquanto a organização tentava o diálogo com os oficiais.

Uma pena que um evento como esse, com uma excelente proposta, tenha sido tão mal entendido em uma cidade como Arapiraca, que carece de iniciativas do tipo, mas, parece não se mostrar pronta a receber eventos desse porte.

Com o público gritando e cantando, não houve conversa com os policiais que decidiram encerrar o show. Ainda estava por tocar a potiguar Pumping Engines. Uma pena que não pudemos ver mais uma vez o metal da turma de Mossoró.

Após o cancelamento do show, restava lamentar o ocorrido e parabenizar toda a turma que esteve junta nessa empreitada e decidiram, além de colocar Alagoas no circuito Fora do Eixo, ainda levou as atrações para tocar no interior do Estado.

Espero que mesmo com essa experiência, ano que vem a iniciativa se repita e que todos nós demos o nosso Grito roqueiro durante o carnaval. Agradecemos à Popfuzz pela ajuda e pelo suporte dado a SIRVA-SE durante nossa estadia. Esperamos voltar em breve e ter melhores notícias. Mas até lá, ficaremos na torcida para que essas medidas tenham continuidade!

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14 Comments to "Cobertura Grito Rock Arapiraca"

2 | apaziguador

11 de February de 2010 to ● 2:13 AM

meu deus, isso foi engraçado.

público bizarro e uma banda pior que a outra.

trituraram o talento em nossas terras.

3 | Joãozinho

11 de February de 2010 to ● 2:26 PM

kkkkkkk, Dizer que o Cross foi bom e o Sra Rita ruim, foi foda..haja mafiação no Evento e na Belissima Crítica do Parceiro Vitor. (h5)

4 | Tales

11 de February de 2010 to ● 5:15 PM

Mto bom pessoal. Os shows foram foda, pena a intervenção do BOPE. Mas é isso ae. Daqui pra frente a cena só tende a crescer na cidade. É só aguardar que em breve teremos mais shows por aqui. Obrigado ao pessoal do Sirva-se pela cobertura.

http://www.popfuzz.com.br

5 | Victor

11 de February de 2010 to ● 10:47 PM

Joãozinho, você não é obrigado a concordar com tudo que é publicado aqui… Felizmente, a diferença de opiniões gera o debate! E começamos a Sirva-se a partir de um debate…

Quanto ao evento e à resenha serem mafiados… Bem, se você acha isso, pode começar a fazer diferente! Monte um blog, organize um festival, faça diferente… Boa parte da turma que entrou no ramo foi com o intuíto de fazer algo a mais, diferente do que está posto! Tente você também…

Boa sorte! Abraço…

6 | Mariazinha

12 de February de 2010 to ● 6:06 AM

Puta merda, Senhora Rita não é ruim po, é hilário. Que merda era aquela? Audiovisual o meu pau. Beijo pras mina.

7 | Fernando

19 de February de 2010 to ● 1:35 AM

Acho engraçado como ainda hoje pode existir tanta hipocrisia em um trabalho jornalístico. Acredito que Alagoas, além de necessitar de músicos mais ousados e com coragem de mostrar seu trabalho, ela também precisa acima de tudo de profissionais com capacidade de fazer um trabalho digno. Algo que pelo visto você não tem capacidade de fazer. Victor a sua função é divulgar o evento, não alterar os fatos para favorecer X ou Y. Todos que estiveram no evento tem sua critica em especifico sobre cada banda, e eu posso concordar ou discordar com sua opinião a respeito dos trabalhos apresentados. Mas seu trabalho deve ser totalmente neutro.
Agora dizer que quando a segunda banda começou a tocar levantou a galera, por favor. Eu estava do lado dos caras de preto, e eles ficaram um bom tempo sentados. E eu também não vi ninguém ir pedir palheta para os músicos.
Lembres-se que seus comentários no lugar de crescer o nome da banda que você quis favorecer, você derrubou. Todos que estiveram lá sabem dos fatos.
Espero que você não venha a cometer os mesmos erros no futuro.

Desde já obrigado pela atenção.
ass: Fernando Campos

8 | Daniel Hogrefe

19 de February de 2010 to ● 4:00 PM

O que eu acho engraçado é o fato das pessoas não saberem diferenciar uma crítica construtiva de “favorecer X ou Y”.
E a função dele é criticar o evento e falar o que achou sim, se fosse só pra divulgar o evento botava um flyer aqui e pronto, e ele dizer que uma banda foi ruim e a outra boa não quer dizer que não é neutro, pelo contrário

9 | Daniel Hogrefe

19 de February de 2010 to ● 4:04 PM

Cara, se a gente criticou agora não quer dizer que numa próxima vez não elogie, vide a própria Cross the Breeze, da qual também fizemos uma crítica aqui: http://sirvase.net/blog/?p=331#more-331 os caras levaram na boa e melhoraram, acho que nossa função como veículo cultural é dizer o que é bom e o que é ruim, o que precisa ser melhorado.

10 | Victor

19 de February de 2010 to ● 4:06 PM

Caro Fernando, é complicado falar sobre isso. Se você diz que o eu escrevi é mentira ou errado, é uma opinião sua. Eu sei o que eu vi, sei o que eu escrevi.

Concordo com você que é necessária imparcialidade no exercício da atividade jornalística, mas discordo sobre isso em uma crítica e quanto à minha função. Minha função, na verdade, foi cobrir o evento à convite do coletivo Popfuzz representante do Circuito Fora do Eixo em Alagoas. Conhecer os trabalhos das bandas e levantar os pontos altos e baixos das bandas e do festival.

Aqui nós levantamos pontos e questões que vemos na produção cultural alagoana, não somos os donos da verdade, mas acreditamos em nossas convicções. Não ache que uma crítica positiva é o céu e que uma crítica negativa é o inferno. Somos muito criticados no dia-a-dia, às vezes falam bem do nosso trabalho, às vezes, não. Muitas vezes, as criticas levantadas são construtivas, basta ter um pouco de autocrítica.

Quanto a banda que você diz que eu defendi já recebeu uma crítica negativa em outra postagem nossa. Já conferiu a cobertura da Tour Fora do Eixo etapa Maceió?

Temos que acreditar no que fazemos para seguir em frente.

Abraço!

11 | Fernando

19 de February de 2010 to ● 5:43 PM

Daniel, meus comentários não foi a respeito de vocês terem comentados que uma banda foi boa e a outra foi ruim. Eu tenho noção musical e sei quem foi bom ou ruim. E como eu mesmo disse no texto eu concordo com algumas criticas feitas. Mas o que não achei coerente foi a demasia nos comentários sobre algumas bandas, e não que eu acho isso errado, levando-se em conta se os fatos citados sobre tais bandas fosse realmente verídico.

Contudo não quis trazer problemas para o debate, só acredito que os textos devem ser mais pensados. Pois os leitores que não foram ao evento vão formar suas opiniões através das informações mostradas aqui. Espero que você tenha noção da sua importância para com a sociedade.

Abraço.

12 | Tales Maia

20 de February de 2010 to ● 10:58 AM

Olha, pelo que eu vi, no começo, o pessoal de preto não gostou muito da Cross. Achei que ia rolar até hostilidade. Mas depois de um certo ponto, eles conquistaram sim uma galera e muita gente foi alí na frente pedir baquetas e palhetas no final do show. Não sei se por tietagem ou por que a galera só queria alguma coisa mesmo. hehe.

De resto, deixo pros jornalista discutirem.

Abraço.

13 | She Nerds » Blog Archive » Pode não parecer, mas teve Pillow Fight em Maceió – parte 2

11 de April de 2010 to ● 3:05 AM

[...] verdade, esse era um pequeno medo meu. Depois que eu soube que durante o Grito do Rock em Arapiraca, o BOPE confundiu uma rodinha de punk com violência e desceu o cacete  dispersou a galera e [...]

14 | NEX-5N

17 de November de 2011 to ● 6:03 AM

É realmente uma peça legal e útil de informação. Estou satisfeito que você compartilhou essa informação útil com a gente. Por favor, fique-nos informados como este. Obrigado por compartilhar.

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