Postado por: SIRVA-SE ● 21/03/2010
Por Victor de Almeida
Fotos por Michel Rios

A turnê nordestina da banda potiguar Camarones Orquestra Guitarrística parece estar sendo muito agradável. Depois de passagem pelas cidades de João Pessoa e Campina Grande, a tour chegou a Maceió, com promessa de muito rock em uma noite atípica na cidade. Mas, ao final eles deixaram a impressão de que existe muito frescor no novo rock produzido no Nordeste.
A noite era atípica por que há muito tempo não se via um final de semana tão agitado quanto este em Maceió. Shows em todos os dias do final de semana, festas simultâneas, festival de teatro, peças gratuitas, tudo isso numa cidade onde o público alternativo – digamos assim – apesar de tudo, ainda está em formação. A presença do público era duvidosa. E não é que o pessoal apareceu?
Com muita ou pouca gente, a festa prometia. Para acompanhar a orquestra de guitarras foram escaladas três bandas locais para fazer as honras da casa. O surf-pop da Don Pedriota e as Tatuagens de Pipoca, o hardcore nervoso da Morra Tentando e o ska-alcoolatra-inconsequente da Dad Fucked and the Mad Skunks.

Para abrir a noite, a Don Pedriota, que veio direto de outro evento, foi para o palco. Da última vez que assisti a um show deles foi no Festival Maionese do ano passado e a diferença é realmente grande. De lá para cá, muita coisa mudou. Pelo menos no som e na execução das músicas. O traje de marinheiro ainda continua com alguns integrantes, mas no mais, pode-se dizer que a banda está mais madura e consciente de si. O show mescla um pouco de músicas próprias com clássicos do surf music. O som agrada todo tipo de gente, seja pela execução das músicas, pelo apelo dançante ou ainda pela soma dos dois fatores. É uma banda que poderia ser mais vista na noite maceioense…

Depois, veio a turma da Morra Tentando, de volta para mais um show no auditório do Café Kancun. Na última vez, eles foram uma das bandas de abertura da sergipana Renegades of Punk. Agora, eles estavam com novidade: um EP. O disco aparentemente bem feito é exemplo que algo honesto e de qualidade pode ser feito com pouca grana. As ilustrações são assinadas por Herbert Loureiro, uma das três cabeças do Estúdio Alba. Ao vivo, os músicos são nervosos e têm urgência. O show relativamente curto, alterna momentos de hardcore mais pesado e rápido com momentos mais tranqüilos, mas sempre com um apelo para a melodia. Às vezes, tenho a impressão que se a Morra Tentando existisse há uns cinco ou sete anos atrás seria melhor reconhecida. Mesmo assim, eles continuam.

Em seguida, a convidada da noite, Camarones Orquestra Guitarrística, mostrou serviço. A primeira surpresa para mim foi a mudança do som da banda. Já tinha visto uma apresentação ao vivo durante o Festival RecBeat do ano passado. As três guitarras da orquestra foram substituídas por duas e um teclado. Ainda assim, continua a pedrada de sempre. A formação dos músicos parece ser, basicamente, da cena punk. Como disse um deles: “Quem não gosta de Ramones, não deve ser bom sujeito”. Durante o show, surpreende a qualidade e o entrosamento dos músicos. Se no RecBeat, o som apontava para um rock cru e sem arrodeios, agora eles voltaram com um som mais dançante e divertido. As músicas autorais dão lugar à vinhetas e riffs conhecidos do público. É como se misturasse um pouco do bublegum dos Ramones, com surf music e cultura pop. Tudo numa embalagem roqueira, mas com o convite para pista. Destaque para a participação na bateria de Dimmy, músico da banda baiana Vendo 147.

Pro final da noite ficou a velha de guerra Dad Fucked and the Mad Skunks. Sem dois músicos, um guitarrista e um trompetista, que não podiam estar presentes, a Dad Fucked, como é apelidada, fez um show que todos esperavam. Caótico, dançante e divertido. Como sempre, Rodolfo faz uma apresentação a parte. A animação contagiou boa parte da galera que cantou em coro os “quase-hinos” do ska alagoano. Se por um lado a apresentação foi desfalcada, por outro lado não faltou energia.
Terminado o show, hora de guardar os instrumentos e se preparar para o próximo dia. A Morra Tentando, toca logo mais com a canadense Lost Innocence, enquanto a Camarones segue para Arapiraca onde tocará no Botequim NaBaxa, junto com as bandas Gato Negro e Rei Bulldog. É, amigo, o rock não para.
1 | Resenha do show da #CamaronesT… » DoSol
22 de March de 2010 to ● 9:19 AM
[...] Resenha do show da #CamaronesTour em Maceió pelo Sirvase: http://sirvase.net/blog/?p=808 [...]