Postado por: SIRVA-SE ● 10/04/2010
Por Daniel Hogrefe
Fotos por Michel Rios

Apesar do medo da chuva, inerente ao público alagoano, o show dessa sexta-feira no Teatro Linda Mascarenhas contou com um bom público, que saiu de casa debaixo de uma garoa fina e um friozinho, pelos padrões maceioenses, agradável para ver as bandas Baztian, Nothing is Impossible Charlie e Kaddish, além do coletivo OutQuitéria.

Equilibrando-se entre extremos a dupla OutQuitéria animou o início do show, indo de Lady Gaga à Polara como quem atravessa a rua. O set rolou durante todo o tempo de evento praticamente, recebendo os primeiros a chegarem e mantendo animados os últimos a saírem, mesmo depois da última banda ter tocado e boa parte do público já ter ido cada um para suas respectivas casas, ou sabe-se lá pra onde. Uma pena o hall ser muito grande e ficar, na maior parte do tempo, muito claro e vazio, o que pode ter inibido algumas pessoas, fazendo a vergonha ser maior que a vontade de dançar.

A primeira banda a se apresentar no palco do Linda foi a Nothing is Impossible, Charlie. O quarteto é novo na cena, embora alguns integrantes participem de outras bandas, mas surpreendeu muita gente em seu primeiro show. Com um repertório inteiramente autoral, algo bem difícil de ser ver em bandas novas, e alternando as letras entre inglês, espanhol e português.
Nas primeiras músicas o som soou meio esquisito, talvez por nervosismo ou apenas má regulagem mesmo, mas foi melhorando, e a Nothing conseguiu mostrar um rock com influências das mais diversas, de Sapatos Bicolores a música de mariachis mexicanos, misturado ao folk, mas mantendo uma identidade própria, temperada por uma cozinha muito bem tocada e umas pitadas de violão e teclado. Uma banda para se prestar atenção daqui pra frente.

Depois de um intervalo curto, a segunda banda botava os amplificadores para funcionar. A Kaddish é uma banda que iniciou as atividades no começo dos anos 2000, mas acabou fazendo uma pausa muito grande, voltando agora, quase 10 anos depois, com nova formação e um EP recém saído do forno, intitulado Celebration. Retomar as atividades depois de tanto tempo parado não é tarefa simples, mas a banda deu conta do recado e apresentou um show de muita qualidade, com uma sonoridade que remete prontamente a Jesus and Mary Chain, mas sem aquela bateria “com eco” típica das gravações dos anos 80.
A banda agrega outras influências mais atuais ao seu som, além do rock oitentista, com guitarras bem construídas e a bateria muito marcada e forte, a Kaddish tem potencial pra se tornar mais conhecida dentro da cena alagoana, agradando fácil ao fãs do estilo. Além das músicas autorais, na sua maioria em inglês, ainda tocaram um cover do Neil Young, que contou com a participação do pessoal da Baztian nos vocais.

Fechando a noite, o power trio da Baztian conseguiu fazer o inimaginável, uma rodinha dentro do Teatro, entre o palco e a primeira fila, encerrando seu repertório com um cover do Nirvana que fez várias pessoas pularem por cima das fileiras de cadeiras até o local da ação.
Um adjetivo que descreveria bem o show dos caras é intenso. Rodolfo espancou, literalmente, a bateria enquanto seus companheiros, munidos de um arsenal de pedais, tocavam as músicas autorais do grupo com acordes de guitarra rasgados e distorcidos, lindas linhas de baixo e um vocal que se alternava entre o suave e o grito nervoso e urgente.
Ao contrário do show ao lado do The Biggs, dessa vez a Baztian veio com uma pegada mais pós-hardcore, remetendo mais à bandas da Dischord Record do que da Sub Pop.

O Linda realmente não é o local mais indicado para shows de rock, embora estética e acusticamente falando o espaço seja muito interessante, com uma infra-estrutura única na cidade, a troca de energia entre banda e público fica bastante prejudicada com todos sentados, dando a impressão de que falta algo no show.
O som utilizado também não foi o ideal para o tamanho do espaço, mas no saldo geral o evento valeu a pena, sendo bem positivo, trazendo boas bandas, que tem uma visão já bem madura do rock e um caminho certo a ser trilhado. Mais uma vez ponto pro pessoal da Popfuzz e quem sai ganhando é o público alagoano, que agora agradece a São Pedro por ele ter se contentado com a garoazinha fina e não ter mandando aquele temporal.