Mistura fina

Postado por: SIRVA-SE ● 20/04/2010

Por Victor de Almeida

Fotos por Michel Rios

Nevilton - 016

Depois da primeira e bem sucedida turnê Fora do Eixo pelo Nordeste com as bandas Burro Morto, Macaco Bong e Porcas Borboletas, foi a vez das revelações Mini Box Lunar e Nevilton fazerem as malas e darem um giro pela região. O projeto que conta com a produção local do coletivo PopFuzz, recebeu o apoio importante da Fundação Municipal de Ação Cultural (FMAC), que trouxe para a programação do Maceió Viva Cultura as duas bandas e mais uma alagoana de Blues e, de quebra, com a participação de um norte-americano. Uma mistura e tanto.

Pouco depois da 16h30, uma das bandas mais comentadas do atual cenário musical brasileiro subiu ao palco. A Mini Box Lunar chegou a Maceió com a pompa de ser considerada pela revista Rolling Stone brasileira, como “a grande revelação do pop amazônico” e ser sempre comentada pelo jornalista e figurão dos festivais independentes, Alex Antunes, como uma das bandas novas mais interessantes.

Como o próprio Nevilton diria mais tarde, a Mini Box Lunar é uma “coisa linda de Deus”. A banda que vem do Amapá trouxe para a praia de Jatiúca toda a psicodelia da floresta Amazônica misturada com os ritmos nortistas do Brasil. A proximidade com o Pará, também está presente no caldeirão sonoro da turma. É brega, folk, tropicália, rock progressivo, bossa nova e country music. Pode procurar, tudo está lá!

Não sou muito bom de fazer analogias, mas a impressão que eu tive depois do show da Mini Box Lunar é que a banda seria uma espécie de Patu Fu do Norte. Sendo que ao contrário do grupo mineiro, eles teriam não uma, mas duas Fernandas Takais.

Heluana Quintas e Jenifer “JJ” Nunes fazem um show a parte. Duas vocalistas extremamente entrosadas e de vozes muitos versáteis. Em uma música, uma fazia vocais doces, a outra tirava onda de cantora de ópera, enquanto isso as duas, juntas, dançavam, pulavam e animavam o fim de tarde do Posto 7.

O grande problema do show foi a falta de público. Apesar da divulgação que o show começaria mais cedo, ninguém parece ter percebido e para boa parte do pessoal que chegou depois das 18h, a surpresa era uma só: “a banda do Amapá já tocou”. Pois é, quem viu, viu. Quem não viu, perdeu. Uma pena, porque esse show é algo que, realmente, vale ser visto! Se você não viu, torça para ter outra chance.

Nevilton - 001

Após o show da turma do Amapá, a Nevilton, banda do outro lado do país, veio do Paraná provar o que todo mundo já sabia: que o grupo é um dos nomes mais promissores do rock produzido no país. Saídos da pequena Umuarama, o trio faz rock sem remeter ao som das bandas gaúchas mostrando que existe ar fresco na música produzida na região.

Se por um lado, as canções de Nevilton de Alencar possuem a leveza e sutileza do pop, por outro, os três músicos, ao vivo, mostram que existe muita energia presente no palco. Ao vivo, a guitarra está quase sempre distorcida e no talo, mas de certa maneira mantém a melodia e os climas das timbragens mais “clean” das gravações.

“Vitorioso Adormecido”, “A Máscara”, “Delicadeza” e a radiofônica “Pressuposto” foram pontos altos do show. Destaque também para a participação de Otto Ramos, tecladista da Mini Box Lunar para uma jam, e o forró improvisado. Não sei se em Umuarama tem forró, mas pelo jeito, com certeza, tem internet.

Para fechar mais uma noite do projeto Maceió Mais Cultura foi escalada a alagoana Blues Mascavo. Não conheço muito de Blues, mas pelo pouco que já ouvi, posso discordar do anfitrião Paulo Poeta, existem sim brasileiros que trazem no sangue a herança do ritmo. Coisa que para mim, a Mascavo faz e muito bem.

Formada pelo guitarrista e tecladista inglês Peter Beresford, o guitarrista Wagner Sampaio, o baixista Alessandro Aru e o baterista Adriano Lima, a banda já é bem rodada no pequeno circuito de Maceió e ultimamente tem alçado vôos maiores e mais pretensiosos. Depois de uma participação elogiada no Festival de Jazz de Garanhuns, evento que ocorre durante o carnaval da cidade pernambucana, os músicos receberam no palco em Maceió, o norte-americano Larry McCray. O show ganhou pela mistura de idiomas e fellings de brasileiros, com um americano e um inglês. Pelo que se viu, não precisou de muita conversa para entender o que estava se passando no palco, já que música é universal.

Final de domingo atípico em Maceió. Uma banda do Amapá, uma do Paraná e uma alagoana recebendo um norte-americano. Coisa boa para um programa de fim de semana, perto da praia e de graça. Bom para as bandas, para o projeto e, principalmente, para o público que está precisando de mais novidades e menos cartas marcadas.

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4 Comments to "Mistura fina"

1 | gabriel cardoso

21 de April de 2010 to ● 2:06 AM

Ah, cara! muito massa as matérias do sirva-se! Queria ter visto o sol indo embora nesse dia aí em Jatiúca.

Fica a vontade.

2 | JM

21 de April de 2010 to ● 6:44 PM

“Sendo que ao contrário do grupo mineiro, eles teriam não uma, mas duas Fernandas Takais.”

Boa Victor! hahahah

3 | caíque

22 de April de 2010 to ● 7:52 AM

aeww =]

show do Nevilton foi massa!

4 | Nando Magalhães

22 de April de 2010 to ● 10:58 AM

Foda! Fotos lindas ae.
Parabéns victor, muito bom o texto!

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